CPMI do INSS: depoimento de Daniel Vorcaro deve acontecer após o Carnaval

Da Agência Senado | 03/02/2026, 19h26

Inicialmente previsto para quinta-feira (5), o depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, à CPMI do INSS ocorrerá após o Carnaval. Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (3), o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que o depoimento foi reagendado para o dia 26 após pedido dos advogados de Vorcaro.

Mas o senador avisou que, se o banqueiro não comparecer, poderá ser conduzido coercitivamente. Vorcaro é investigado pela Polícia Federal devido às fraudes no Banco Master.

Viana destacou que o convocado terá de “explicar os 250 mil contratos de empréstimos consignados que o Banco Master tinha em carteira, que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de documentação que garantisse de fato a efetividade e a anuência dos aposentados”.

Por estar em prisão domiciliar, Vorcaro terá de ser transportado até Brasília sob custódia da Polícia Federal. O senador ressaltou que serão garantidos todos os direitos constitucionais de não autoincriminação, acompanhamento por advogado e tratamento digno ao depoente.

Depoimento mantido

Está mantido para esta quinta-feira o depoimento do presidente do INSS Gilberto Waller Júnior, em reunião que começa às 9h.

Viana disse que Gilberto deverá explicar as medidas adotadas pelo órgão durante a sua gestão, avaliar a efetividade dos controles internos implementados e identificar responsabilidades administrativas no âmbito da gestão atual.

Habeas corpus

O senador lamentou a manutenção do habeas corpus, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede o depoimento do empresário Maurício Camisotti à comissão.

Empresário do grupo Total Health, Camisotti foi convocado depois que oito requerimentos com esse objetivo foram apresentados, entre eles um do próprio presidente da CPMI. Segundo Viana, o empresário deve ser ouvido “em razão de seu envolvimento em graves esquemas de fraude e lavagem de dinheiro”.

Camisotti é apontado como sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que arrecadou R$ 178 milhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos indevidos na folha de aposentados e pensionistas. A Controladoria-Geral da União verificou que muitos dos prejudicados nem sabiam que estavam filiados a essa associação.

Toffoli e prorrogação

Viana também informou que o ministro do STF Dias Toffoli concordou com a devolução do material que já havia sido apurado pela comissão, mas só após as investigações da Polícia Federal.

Além disso, o presidente da CPMI anunciou que vai se reunir na semana que vem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar da prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)