Comissão aprova indicações para Embaixadas no Iraque e na China

Paulo Sérgio Vasco | 14/07/2015, 17h39

Os três maiores desafios à sobrevivência do Iraque estão interligados: a carência de infraestrutura e serviços básicos; a divisão entre os grupos étnicos e religiosos; e a insurgência do grupo radical Estado Islâmico, que ocupa algumas regiões do país.

A afirmação é do diplomata Miguel Júnior França Chaves de Magalhães, que teve sua indicação para embaixador do Iraque aprovada nesta terça-feira (14) pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A indicação ainda será votada em Plenário, assim como a do diplomata Roberto Jaguaribe Gomes de Mattos, aprovado para assumir o cargo de embaixador do Brasil na China e Mongólia.

— O quadro é no mínimo instável para o governo, e cruel para a população, mas a tradição do povo iraquiano e de suas elites é de superação, disse Miguel Júnior, para quem o Brasil tem condições de ampliar suas vendas de alimentos, produtos de defesa e serviços ao Iraque.

Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF) Miguel Júnior disse que não vê dificuldades, além das condições de segurança, de incentivar a volta de empresas brasileiras ao Iraque, onde muitas obras de infraestrutura foram executadas pela Mendes Júnior e Petrobras. ele afirmou ainda que o Brasil desempenha um papel fundamental na defesa dos direitos humanos, e que os votos do país nos organismos internacionais têm sido nesse sentido.

Em resposta ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ), Miguel Júnior disse que o Estado Islâmico surgiu do descontentamento da minoria sunita em relação ao governo central, contribuindo para isso o papel que os americanos exerceram na saída do Iraque, que criou um vácuo de poder preenchido pelos radicais.

Ascensão da China

Em sua exposição, Gomes de Mattos considerou que a China é um país “absolutamente fundamental” no novo cenário internacional. Ele destacou que a China mantém características peculiares, pois não há outro país no mundo que tenha assegurado a continuidade política, administrativa e cultural sobre um território delimitado desde a pré-história até os dias de hoje.

— A ascensão da China é um fenômeno da atualidade. A introdução da China no contexto realinhou uma quantidade de variáveis e mudou a concepção de algumas questões. A China passou de país periférico para ator fundamental, com maior capacidade de impacto no que o mundo poderá ser, mas continua sendo um país em desenvolvimento — afirmou.

Em resposta à senadora Ana Amélia (PP-RS), Gomes de Mattos disse que considera a criação do banco do Brics uma iniciativa “ainda pertinente e verdadeira”, independentemente da desproporcionalidade entre os países emergentes que o compõe no contexto econômico global.

A criação do banco, avaliou Gomes de Mattos, obedece a uma lógica que os países em desenvolvimento vêm imprimindo há algum tempo, que é a democratização maior na governança global. As reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições não prosperaram, e essa descontinuidade favoreceu outras alternativas, sem que isso tenha diminuído a relevância e a relação positiva entre as instituições, afirmou.

Gomes de Mattos destacou que a China é hoje o maior comerciante do mundo, mantendo a capacidade de se inserir nas cadeias reprodutivas mais representativas dos EUA e Europa, mesmo sem acordos de cooperação para tal. Ele observou que a China mantém preocupação com a porção oeste de seu território, ocupada por população minoritariamente islâmica, e que o país apresenta abundância em recursos naturais, mas com demanda extraordinariamente elevada, que impõe desafios de natureza ambiental, inseridos na essência central das políticas locais.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)