Aloysio Nunes: Dilma foi beneficiada politicamente pelo esquema na Petrobras
Da Redação | 17/11/2014, 19h10
O líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), afirmou que a presidente da República, Dilma Rousseff, se beneficiou politicamente das irregularidades envolvendo a Petrobras, apuradas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.
Segundo o senador, o escândalo, que envolve empreiteiros, políticos, funcionários e diretores da estatal, faz parte de um novo método de governo para formar maioria parlamentar no Congresso Nacional e conseguir mais tempo de TV em campanhas eleitorais.
- Nós estamos realmente diante de um fato acabrunhante, grave. Eu não diria, eu não seria leviano aqui para dizer que a presidente Dilma é pessoalmente desonesta. Mas que ela se beneficiou desse esquema se beneficiou. Ela se beneficiou eleitoralmente, politicamente. Ela fez parte de um governo sustentado na lama! E ela nada fez para impedir.
Apesar de ressaltar que não é favorável, neste momento, a um processo de impeachment, Aloysio Nunes disse que o cenário pode mudar caso haja provas inquestionáveis de seu envolvimento direto nas irregularidades. Por outro lado, politicamente, não há dúvida de que Dilma é responsável por não ter agido quando deveria, ressaltou.
- Quem, durante esse tempo todo, comandou esse setor no Governo do PT, no governo Lula e no governo Dilma, como ministra de Minas e Energia, como chefe da Casa Civil e como presidente da República? A senhora Dilma Rousseff.
Aloysio Nunes lembrou que Dilma Rousseff poderia ter impedido, por exemplo, as irregularidades na estatal em relação às obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, objeto de alertas do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o senador, com custo inicial previsto em R$ 2 bilhões, a obra já consumiu mais de R$ 20 bilhões e ainda não foi concluída.
O senador disse acreditar que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na verdade, pretende blindar a presidente da República ao declarar que a oposição quer promover um terceiro turno das eleições presidenciais ao explorar politicamente os resultados da Operação Lava Jato.
Partidos
O pronunciamento do senador provocou um pequeno debate no Plenário. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou que a presidente fortaleceu a Polícia Federal durante o primeiro mandato. Aloysio Nunes rebateu dizendo que, dos R$ 221 milhões da dotação inicial para a PF neste ano, apenas R$ 9 milhões foram usados.
Apesar de elogiar o pronunciamento do colega, Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou que a presidente Dilma Rousseff não deverá ser pessoalmente atingida no processo. O senador lembrou um caso de corrupção ocorrido no Paraná para dizer que a formação de cartel entre empresários, construtores e agências de publicidade é antigo no país.
- Ele não é partidário, é um câncer que atravessa todas as administrações da República – disse o senador, considerando inevitável que a operação respingue no Congresso Nacional.
O senador aproveitou para se dizer preocupado com o domínio da distribuição, no Senado, da relatorias das CPIs e de matérias legislativas. Para ele, a distribuição deveria ser automática, para que todos tivessem chance de relatar.
Sobre a questão partidária, Anibal Diniz (PT-AC) disse que muitos dos corruptos e corruptores não têm partido e que a corrupção está na história política do Brasil desde o descobrimento.
- A invenção da corrupção no Brasil não é obra dos Partido dos trabalhadores, e quando alguém se arvora a dizer isso está sendo absolutamente leviano.
Financiamento
Os senadores Cyro Miranda (PSDB-GO) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO) elogiaram o pronunciamento de Aloysio Nunes. Enquanto Ataídes citou doações de empreiteiras para a campanha de Dilma, Cyro lamentou a falta de seriedade com que o governo tem tratado o episódio e disse temer que não haja consequências para os envolvidos. Ele mencionou as recentes transferências de presos no Mensalão para prisão domiciliar.
Em resposta ao colega, Aloysio Nunes disse que a oposição tentará criar, no próximo ano, outra CPI sobre o tema. As assinaturas, segundo o senador, estão sendo colhidas.
O líder do DEM, José Agripino (DEM-RN), voltou a apontar o papel do Congresso na formulação de leis que combatam a corrupção, que poderão dar “rumo novo” à política no Brasil.
João Capiberibe (PSB-AP) disse que é preciso saber distinguir entre os políticos "ladrões" e os demais. Já Antonio Aureliano (PSDB-MG) questionou a competência e eficiência de Dilma nos diversos cargos que ocupou no governo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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