CRE aprova indicação de embaixadores para países próximos a regiões de conflito
marcos-magalhaes | 13/11/2014, 15h38
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou, nesta quinta-feira (13), duas indicações de embaixadores para países próximos a zonas de conflito – Líbano e Belarus – e uma para uma nação que tem na memória recente um dos maiores conflitos da Guerra Fria – o Vietnã. As três indicações seguirão agora para análise do Plenário.
Indicado pela presidente da República Dilma Rousseff para representar o Brasil em Beirute, o ministro de primeira classe Jorge Geraldo Kadri – cuja indicação teve como relator o senador Pedro Simon (PMDB-RS) – observou que o Líbano atualmente enfrenta dois novos problemas: a guerra na vizinha Síria e a criação do Estado Islâmico, que procura estabelecer na região um califado. Os principais desafios libaneses, segundo o embaixador, são os de buscar "a melhor relação possível” com Israel, lidar com o grupo islâmico Hezbollah e atenuar a influência síria em seu território.
- O Brasil pode ser um ator importante para ajudar o Líbano a superar esses desafios – disse Kadri, ele mesmo descendente de libaneses como mais de quatro milhões de brasileiros.
Para fortalecer a relação “muito especial” com o Líbano, o diplomata sugeriu aprofundar as relações econômicas, onde, a seu ver, existe um “longo caminho a percorrer”. Ele anunciou a intenção da Eletrobrás de participar da renovação do sistema elétrico daquele país e o interesse da indústria bélica nacional de vender armamentos ao Líbano. Defendeu ainda o estabelecimento de uma linha aérea entre São Paulo e Beirute.
Segundo o diplomata, o Brasil já coopera na formação de oficiais das Forças Armadas do Líbano. Por outro lado, informou, está em fase de conclusão acordo de livre comércio entre aquele país e o Mercosul.
Eurásia
A Belarus, para onde foi indicado o ministro de segunda classe Paulo Antonio Pereira Pinto, integra região que o presidente russo Vladimir Putin quer ver reunida em torno de um novo projeto de criação de uma União da Eurásia, entre a Europa e o Leste Asiático. Ele lembrou que têm ocorrido em Minsk, capital do país, as negociações entre a Rússia e a Ucrânia sobre os conflitos armados entre tropas dos dois países no leste ucraniano.
- Espera-se que após o momento atual de turbulência na crise ucraniana venha a ser fortalecida a abertura política da Belorus. Diante desse possível cenário favorável pretendo trabalhar por um relacionamento cada vez mais produtivo com aquele país – anunciou Pereira Pinto, cuja indicação teve como relator o senador Luiz Henrique (PMDB-SC).
O diplomata disse que pretende fortalecer o arcabouço jurídico bilateral, com a celebração de acordos de cooperação econômica, científica, educacional e agrícola. Ele anunciou ainda que promoverá esforços no sentido de liberação das exportações de carnes brasileiras à Belorus. Os senadores Luiz Henrique e Ana Amélia (PP-RS) manifestaram preocupação com o embargo ainda vigente às exportações nacionais de carne para aquele país.
Futuro promissor
O ministro de primeira classe Marco Antonio Diniz Brandão, indicado como embaixador no Vietnã, disse que as relações do Brasil com aquele país têm um “futuro promissor”. Como exemplo desse potencial ele citou o aumento do comércio bilateral de US$ 100 milhões, há dez anos, para os atuais US$ 2 bilhões. As exportações brasileiras são principalmente de milho e soja. Em troca, o Brasil importa principalmente componentes eletrônicos – o Vietnã é um dos principais exportadores mundiais de telefones celulares, de tecnologia coreana.
O Vietnã, acrescentou o diplomata, tem alcançado sucesso na superação da pobreza extrema, por meio da geração de empregos e da transferência de renda, e seguirá crescendo na próxima década. Ele anunciou que pretende dar prioridade a uma maior aproximação política com o Vietnã, como caminho para fortalecer as relações culturais e na área de defesa.
Paz
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), relator da mensagem presidencial de indicação de Diniz, abriu o debate na reunião da comissão citando trechos de uma canção de Bob Dylan em favor da paz. “Quantas pessoas precisarão morrer até que se perceba que muita gente já morreu?”, disse Suplicy lembrando a canção Blowing in the Wind. Ele manifestou sua preocupação com a permanência de conflitos nas regiões dos países para onde irão os novos embaixadores. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que Brasil e Vietnã têm muito a aprender mutuamente com políticas de combate à pobreza. Por sua vez, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) recordou as difíceis relações do Vietnã com a China.
Venezuela
Ao final da reunião, a comissão aprovou dois requerimentos. O primeiro, de autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), determina a realização de audiência pública sobre os 'Objetivos do Desenvolvimento Sustentável". O segundo, apresentado por Aloysio Nunes, é de convite ao encarregado de negócios da Venezuela no Brasil, Reinaldo Segovia, para prestar esclarecimentos sobre acordo firmado por seu país e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) para troca de experiências na área de agroecologia.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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