Dilma é reeleita presidente do Brasil

Da Redação | 26/10/2014, 20h08

Com 51,64% dos votos válidos, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita neste domingo (26) para governar o Brasil pelos próximos quatro anos. Na eleição mais equilibrada desde que os brasileiros voltaram às urnas após a Constituição de 1988, Dilma Rousseff venceu com 54,5 milhões de votos. A diferença para o concorrente Aécio Neves (PSDB), que obteve 48,36%, ou 51,04 milhões de votos, foi de cerca de três pontos percentuais, ou mais exatamente 3.459.963 votos.

A apertada vitória dá uma ideia dos desafios que estão por vir nos próximos quatro anos.  A campanha presidencial de 2014 chegou ao fim confirmando a polarização PT x PSDB, que vem se repetindo desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu pela primeira vez para chefiar o governo brasileiro.

O esforço da ex-senadora e ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PSB) de criar uma alternativa à polarização não logrou êxito. Seus votos acabaram divididos entre Aécio, a quem apoiou, e Dilma, mas ajudou igualmente a engrossar o cordão dos brasileiros que rejeitam as candidaturas finalistas ou a própria política atual. No total, 37,2 milhões de pessoas colocaram-se à margem do processo eleitoral ou protestaram contra o seu conteúdo, abstendo-se de votar, votando nulo ou votando em branco. Os votos nulos mais os brancos somaram 7,1milhões.

Além de superar a intensa rivalidade com o PSDB – que ganhou contornos ainda mais fortes nas redes sociais – a presidente terá que lidar com dissidentes de partidos aliados que, ao longo da campanha optaram por apoiar seus concorrentes Marina Silva e Aécio Neves.

Também será um desafio à presidente calar os adversários que, durante toda a campanha eleitoral, criticaram insistentemente o baixo nível de crescimento econômico do país, a elevação do custo de vida causada pela inflação acima do teto da meta, o aparelhamento do Estado pelo PT e a corrupção, evidenciada em denúncias de desvios de recursos da Petrobras divulgadas pela imprensa nos últimos meses.

‘Coração valente’

Primeira mulher a se tornar Presidente da República do Brasil, Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, na cidade de Belo Horizonte (MG). Iniciou sua militância política aos 16 anos e ingressou na luta armada contra a ditadura militar. Foi presa em 1970, no presídio Tiradentes na capital paulista, por quase três anos e submetida à tortura. A oposição à ditadura foi explorada pelo marketing político da candidata, que a apelidou de “Dilma Coração Valente”, denominação que caiu no gosto de sua militância e apoiadores.

Nas eleições de 1989, Dilma Rousseff trabalhou para a campanha de Leonel Brizola ao Planalto e só no segundo turno foi às ruas pedir votos a Lula. Nos anos 90, fez doutorado em Economia e foi Secretária de Energia do governo do Rio Grande do Sul.

Em 2002, Dilma convidada a participar da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Lula (2003-2010) e ganhou destaque na equipe responsável por formular o plano do governo na área energética. Foi convidada então a ocupar a pasta de Minas e Energia em 2003. Permaneceu no cargo até 2005, quando substituiu José Dirceu, atingido pelo escândalo do mensalão, na Casa Civil.

Em 2009, revelou que se submetera a tratamento contra um linfoma descoberto em exame de rotina. Após sessões de radioterapia e quimioterapia, anunciou que estava curada do câncer. Meses depois, teve sua candidatura à Presidência oficializada pelo PT.

Dilma comandou uma extensa campanha pelo País, tendo Lula como seu principal cabo eleitoral. Viu a disputa ser levada ao segundo turno em meio a denúncias envolvendo Erenice Guerra, sua antiga auxiliar e então ministra da Casa Civil. Na segunda etapa da votação, Dilma confirmou seu favoritismo e se tornou a primeira presidente mulher do Brasil, com quase 56 milhões de votos.

Confira todos os números da eleição no site do TSE

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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