Cerveró volta a negar importância de cláusulas omitidas na negociação de Pasadena

Da Redação | 10/09/2014, 16h27

O ex-diretor da área internacional da empresa Nestor Cerveró voltou a minimizar a importância de duas cláusulas omitidas no documento, ao falar sobre o assunto na CPI Mista da Petrobras, nesta quarta-feira (10). Cerveró foi o responsável pelo resumo-executivo que serviu de base para que o Conselho Administrativo da Petrobras autorizasse a compra da refinaria de Pasadena,

A cláusula Marlim previa à belga Astra Oil, parceira inicial da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano, independentemente das condições de mercado, enquanto a cláusula de Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso houvesse desentendimento com a parceira da Bélgica.

— Essas cláusulas eram uma espécie de contrapartida por conta do nosso alto poder de decisão relativa à Pasadena. Tínhamos, por exemplo, o direito de colocar 70% de nosso petróleo e até definir os investimentos necessários. Essas cláusulas são normais — explicou.

Ainda segundo Cerveró, o resumo só tem duas páginas e apresenta apenas os aspectos principais da negociação. Mas toda a documentação necessária foi enviada ao Conselho. O posicionamento do ex-diretor vai contra a opinião da presidente da Petrobras, Graça Foster, que considerou tais cláusulas importantes quando depôs à CPI Mista e à CPI exclusiva do Senado.

A presidente Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil e presidente do Conselho Administrativo na época da negociação, chegou a afirmar que a compra da unidade industrial americana só foi autorizada porque estava baseada num documento "técnica e juridicamente falho".

Valores

Nestor Cerveró também negou que a Astra Oil tivesse pago US$ 42 milhões pela refinaria, conforme divulgado pela imprensa. Segundo ele, foram US$ 360 milhões, incluindo adaptações, passivos trabalhistas e ambientais. Ele ressaltou que a Petrobras adquiriu o empreendimento por preço abaixo do mercado, considerando-se o preço total pela capacidade de processamento:

— Foram pagos US$ 550 milhões pela refinaria, cuja capacidade de processamento é de 100 mil barris diários. Dividindo o preço total pela capacidade, chega-se a US$ 5,5 mil por barril, valor abaixo da média de mercado — explicou.

Nestor Cerveró dá explicações há quase duas horas aos parlamentares. Por enquanto, somente o relator Marco Maia (PT-RR) apresentou seus questionamentos, o que gerou reclamações de outros deputados.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)