Nestor Cerveró: 'Paulo Roberto Costa não participou das negociações de Pasadena'

Larissa Bortoni e Anderson Vieira | 10/09/2014, 18h50 - ATUALIZADO EM 11/09/2014, 11h12

O ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou nesta quarta-feira (10), em depoimento à comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista que investiga denúncias sobre negócios da estatal, que desconhece qualquer participação direta do também ex-diretor Paulo Roberto Costa nos acertos empresariais para a compra da Refinaria de Pasadena (EUA).  De acordo com Cerveró, Paulo Roberto apenas indicou outros funcionários da empresa para trabalhar na refinaria.

- Das negociações o Paulo não participa. Apenas aprovou o negócio como membro do Conselho Administrativo da Petrobras. Ele não se envolveu — garantiu Cerveró.

Ele também negou que tenha havido qualquer desvio de dinheiro na compra da refinaria nos Estados Unidos, e que nem nunca ouviu falar sobre isso.

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) quis saber como Nestor Cerveró avalia a afirmação da presidente Dilma Rousseff de que ela não tinha a menor ideia da existência de crimes na Petrobras.

- É duro acreditar nessa afirmativa da presidente Dilma, declarou Imbassahy.

Nestor Cerveró respondeu que não tem o que dizer sobre isso e aconselhou o  deputado a fazer a pergunta para a presidente Dilma.

O ex-funcionário da Petrobras também refutou qualquer irregularidade na locação de um apartamento no bairro Ipanema, avaliado em R$ 7,5 milhões, onde morou por cerca de cinco anos. Disse que o contrato foi fechado pela mulher dele com um ex-colega da estatal, Marcelo Oliveira, e que o valor do aluguel entre R$ 7 mil a R$ 8 mil era compatível com o que ganhava na época como diretor da Petrobras. Acrescentou que tão logo perdeu o emprego, deixou o imóvel.

Combinação de respostas

Nestor Cerveró admitiu que recebeu um convite da Petrobras para fazer um media training, pago pela empresa, para aprender a se comportar em situações de pressão. Disse que participou desse treinamento, antes de depor à CPI da Petrobras exclusiva do Senado, mas negou que nesse processo tenha recebido qualquer pergunta.

- Esse media training se limita a isso, porque é muito difícil. É muito pesado. É muito complicado ficar aqui durante horas. O que foi feito foi isso, mas não recebi pergunta nenhuma — disse.

Quanto a denúncia de que tenha transferido bens para familiares tão logo o caso Pasadena se tornou público, Cerveró assegurou que os fatos são outros. Segundo ele, houve uma doação de três imóveis aos filhos e a uma neta, como antecipação de herança. Essa transação aconteceu há três meses, mas ele repeliu qualquer insinuação de relação entre esse negócio e a possibilidade de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter recomendado o bloqueio dos bens dele para cobrir prejuízos com a compra da Refinaria de Pasadena.

Nestor Cerveró reforçou o que já havia dito em depoimento à CPI da Petrobras exclusiva do Senado, que a compra de Pasadena foi um bom negócio para a estatal. E reforçou a análise com  dados sobre a lucratividade da refinaria.

- Só no primeiro semestre de 2014 teve um lucro líquido de quase US$80 milhões. Podemos considerar que, este ano, Pasadena terá um lucro da ordem US$150 milhões, afirmou Cerveró que também disse que ao contrário do apurado pelo Tribunal da Contas da União, a aquisição de Pasadena não resultou em prejuízos para a Petrobras.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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