Exemplo de Irmã Dulce é exaltado por parlamentares

Elina Rodrigues Pozzebom | 27/05/2014, 16h20

A memória de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce,foi exaltada no Congresso Nacional nesta terça-feira (27). A sessão de homenagem marcou o centenário da religiosa católica, nascida em Salvador, que dedicou a vida a atividades de assistência aos pobres e criou várias instituições de caráter filantrópico.

Os parlamentares mencionaram a "figura frágil, de voz baixa", de Irmã Dulce, e a compararam a uma "fortaleza incomparável na defesa dos mais pobres". Para deputados e senadores, a religiosa, que foi beatificada pelo papa Bento XVI, "é uma verdadeira santa".

Nascida em 26 de maio de 1914, aos 13 anos descobriu a sua vocação religiosa. Com 18 anos, ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imacula Conceição da Mãe de Deus e logo passou a lutar por atendimento médico e acolhimento aos pobres, doentes, rejeitados, idosos, crianças, pessoas com deficiência e dependentes químicos. Suas obras sociais, que atendem cerca de quatro milhões de pessoas por ano, começaram quando decidiu acolher, no galinheiro do convento que a abrigava, 70 doentes terminais, após peregrinar por casas invadidas e até mesmo pousar nos arcos da Igreja do Bonfim, de onde foram expulsos.

O senador José Sarney (PMDB-AP), autor do requerimento no Senado, deu detalhes das ações da religiosa, que construiu escolas, bibliotecas, hospitais e montou cursos em prol dos pobres e dos doentes e desamparados. Sarney a indicou ao Premio Nobel da Paz, quando na Presidência da República. Segundo o parlamentar, nenhuma santa reconhecida no país será tão brasileira, santa e boa e representará o espírito do Brasil junto a Deus como Irmã Dulce. Beatificada - último passo antes da canonização -, a religiosa baiana pode figurar entre os santos da Igreja Católica.

Lenço branco

Sarney disse ter sido abençoado com um dos milagres da religiosa, ao deixar o cargo de presidente da República, quando achou que seria hostilizado pela população. Ele afirmou que, sentindo a presença da beata, sacudiu um lenço branco e, ao contrário do esperado, foi aplaudido ao descer a rampa ao lado de seus familiares.

— Irmã Dulce, frágil como pétala, débil como folha levada no vento, plena de bondade e lutando sempre, até para respirar e pela causa dos pobres. Foi essa a santa que conheci e que hoje celebramos em seu centenário de nascimento, ela que já é eterna – avaliou.

Passagens de sua vida, com exemplos de humildade, perseverança, dedicação e solidariedade foram citados por todos os oradores. O deputado Antonio Imbassay (PSDB-BA), um dos autores do requerimento de homenagem na Câmara, lembrou da constante busca por recursos para suas obras, o que a fez ser conhecida como a “freirinha pidona”.

— Com ela, renasceu esperança onde havia desespero, doença e fome — declarou o político baiano.

O deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), que também requereu a homenagem na Câmara, registrou que, para o povo baiano, mesmo antes de morrer, Irmã Dulce já era considerada uma verdadeira santa. Ele se disse um privilegiado por conhecer a mulher de compleição física frágil, mas "que se agigantava por sua obra".

— O Hospital Santo Antônio foi, por muito tempo, a última porta dos desvalidos da Bahia. Lá, o povo humilde sempre encontrou acolhida, um local para sua cura — lembrou.

Ideal fraterno

Maria Rita Pontes, sobrinha da religiosa e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, ressaltou o espírito visionário da fundadora de uma das mais vigorosas obras sociais do país, cujo ideal fraterno continua a inspirar as novas gerações a dar continuidade ao trabalho.

Hoje, 65 anos após o episódio do hospital criado no galinheiro do convento, informou a superintendente, são quatro milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), em 15 núcleos de atendimento. E 1.005 leitos à disposição da população. O complexo hospitalar atende somente pelo SUS. São 12 mil cirurgias por ano, com 1,2 milhão de refeições servidas aos pacientes, afirmou. Entretanto, para continuar a obra filantrópica, disse Maria Rita Pontes, são necessários mais recursos.

— É meu dever relatar que tal missão adquiriu novas e monumentais proporções, traduzindo-se hoje em um enorme desafio, cujo futuro dependerá da boa vontade e do engajamento de todos, desde o compromisso assumido pelo doador anônimo até o apoio vindo das instituições governamentais — declarou, pedindo apoio aos parlamentares.

Também discursaram a senadora Lídice da Mata (PSB-BA), para quem é indispensável que o Brasil reconheça a ação evangelizadora e de caridade de Irmã Dulce, que nunca abriu mão da solidariedade, e o deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), para quem é essencial lembrar que Irmã Dulce foi uma "luz em tempos de cultura individualista". O senador Walter Pinheiro (PT-BA), na presidência dos trabalhos, citou o apóstolo Paulo ao dizer que Irmã Dulce era uma das poucas pessoas a poder dizer “Cristo vive em mim”, por seu amor e entrega ao próximo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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