Senadores pelo Ceará lembram espírito libertário do Dragão do Mar
Da Redação | 12/05/2014, 14h04
A contribuição do líder do movimento contra o embarque de escravos no porto do Ceará em 1881, Francisco José do Nascimento, para a abolição da escravatura no Brasil foi destacada pelos senadores que representam o estado no Senado: Eunício Oliveira (PMDB), Inácio Arruda (PCdoB) e José Pimentel (PT).
Os três são autores do requerimento que levou à realização de sessão especial, nesta segunda-feira (12), para lembrar o centenário de falecimento do jangadeiro Francisco do Nascimento, conhecido à época como Chico da Matilde, em referência à sua mãe, a rendeira Matilde Maria da Conceição, e depois imortalizado como Dragão do Mar.
– Pequenos gestos, pequenas ações podem mudar – e fazer avançar – os rumos de uma cidade, de um estado, de um país. Francisco já dava mostras do espírito libertário do povo cearense, dono da própria vontade, que não aceita imposições, mesmo que partam dos poderosos – ressaltou Eunício Oliveira.
Pimentel também apontou o espírito libertário do povo cearense ao citar frase de Francisco do Nascimento, no movimento de bloqueio a navios negreiros em Fortaleza: “Não há força bruta no mundo que fizesse o tráfego negreiro ser reaberto no Ceará”.
Conforme os senadores, o movimento dos jangadeiros cearenses contra a distribuição de escravos pelas províncias do Sudeste foi determinante para que o Ceará abolisse a escravatura quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.
Preconceito
A homenagem ao Dragão do Mar ganha relevância ainda maior neste momento em que o país lidera movimento contra o preconceito e pela tolerância, na opinião dos parlamentares, que lembraram episódios de manifestações racistas em estádios na Europa.
– Que o Dragão do Mar reapareça a cada gesto de preconceito, a cada banana jogada no gramado, como se repetiu ainda ontem, durante uma partida do campeonato italiano – lembrou Eunício Oliveira.
A luta que se trava ainda hoje de combate ao preconceito também foi destacada por Inácio Arruda.
– O preconceito ainda se materializa entre os ditos civilizados, entre os lordes europeus, que fazem chacota pela diferença da cor. O preconceito continua existindo contra os negros nos estádios de futebol dos países chamados civilizados, o que exige de nós o repúdio permanente e firme – observou o parlamentar pelo PCdoB.
As ações promovidas pelo governo federal de promoção da igualdade racial foram lembradas por José Pimentel. Ele citou, entre outros, o Programa Brasil Quilombola, de 2004, que regularizou terras de descendentes de escravos refugiados em quilombos.
Destacou ainda a votação do PLC 29/2014, que estabelece quotas para negros em concurso público. A matéria está na pauta no Plenário.
– Nossa pauta está trancada por uma medida provisória. Vamos fazer um esforço muito grande para liberá-la amanhã. O diálogo que o senador Renan Calheiros, nosso presidente, e as lideranças já assumiram é de aprovar a lei de quotas também para o concurso público.
Práticos
Os senadores destacaram ainda o trabalho realizado pelos práticos, profissionais que auxiliam a navegação nos portos. Habilitados pela Marinha, eles conhecem as águas onde atuam e o tráfego de embarcações no porto.
– Que a praticagem brasileira receba o reconhecimento que o Dragão do Mar só veio receber um século depois da sua morte – frisou Eunício.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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