Montagem de caças criará mais de 2 mil empregos, diz Saito

Marcos Magalhães | 27/02/2014, 14h50

A montagem dos aviões de caça Grippen NG, escolhidos pelo governo para reequipar a Força Aérea Brasileira, levará à criação de 2.000 a 3.000 empregos diretos no país, além de 22 mil empregos indiretos. Os números foram apresentados pelo comandante da Aeronáutica, tenente- brigadeiro Juniti Saito, aos integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (27) por iniciativa do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da comissão.

Em resposta ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o comandante informou – baseado em dados fornecidos pela indústria aeronáutica nacional – que esses postos de trabalho serão distribuídos entre a Embraer, a futura linha de montagem dos aviões, em São Bernardo do Campo (SP), e indústrias de componentes situadas em locais como Porto Alegre (RS).

A escolha dos caças Grippen, da empresa sueca Saab, foi anunciada em 18 de dezembro pela presidente Dilma Rousseff, ao final de um longo processo de seleção que também contou com a participação da francesa Dassault, fabricante do caça Rafale, e da norte-americana Boeing, que concorreu com seu caça F-18 Super Hornett. Todas as propostas tinham suas vantagens, como reconheceu o brigadeiro. Entre os principais motivos que levaram à escolha do Grippen, informou, estão a montagem dos aviões no Brasil – com a consequente geração de empregos no país – e a possibilidade de acesso ao código fonte da aeronave.

Por meio do código fonte, esclareceu Saito, a Força Aérea Brasileira será capaz de equipar os Grippen NG com armamentos fabricados em diversos países, por meio de um software de integração desses armamentos. Ele esclareceu ainda que a transferência de tecnologia de fabricação do Grippen NG – considerado como integrante de uma geração 4.6, na linguagem aeronáutica – permitirá à indústria nacional obter o conhecimento necessário ao futuro desenvolvimento, no país, de caças de quinta geração.

— Para um país que quer se capacitar, a solução é aprender junto com eles. Será fabricada no Brasil 80% da estrutura do avião. O Grippen não é de quinta geração, mas só quem tem hoje caças de quinta geração voando são os Estados Unidos, com seu F-22 que os radares não pegam. Os americanos não vendem esse caça a ninguém. Os russos estão desenvolvendo uma aeronave de quinta geração, com tecnologia muito avançada, e a China também está pretendendo desenvolver o seu caça – informou Saito.

O presidente da comissão demonstrou preocupação com o período de quatro anos que antecede a chegada dos primeiros Grippen NG, ao final de 2018. Ele alertou para a necessidade de se buscar uma solução provisória que ajude o país a manter sua soberania. Em resposta, Saito afirmou que já existem negociações em andamento com o governo da Suécia para o empréstimo de 10 a 12 aviões Grippen de uma geração anterior, a partir de 2016.

Ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que demonstrou preocupação com a formação de pilotos brasileiros para pilotar os Grippen, o comandante da Aeronáutica informou que a Força Aérea da Suécia já convidou dois pilotos brasileiros para começar o período de treinamento ainda neste ano. A senadora Ana Amélia (PP-RS) ressaltou a importância da transferência de tecnologia sueca e previu que a indústria brasileira será capaz de dar um “salto de qualidade incalculável”. No início da reunião, o senador Jorge Viana (PT-AC) agradeceu o apoio da Força Aérea às vítimas das enchentes no Acre.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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