Ala Filinto Müller do Senado poderá ter nome mudado para Luiz Carlos Prestes

Da Redação | 21/01/2014, 10h10

Aguarda votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o projeto de resolução do Senado (PRS 36/2011) que altera a denominação da Ala Filinto Müller do Senado para Ala Luiz Carlos Prestes. A matéria recebeu parecer favorável do relator, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

De autoria da senadora Ana Rita (PT-ES), a proposta já passou pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) e propõe a alteração do nome dessa ala de gabinetes do Senado. Tanto Filinto Müller (1900-1973) quanto Luiz Carlos Prestes (1898-1990) foram senadores.

Filinto Müller colaborou com as duas ditaduras que governaram o Brasil no século 20 e ficou conhecido por agir com mão de ferro. Atuou como chefe de polícia na ditadura Vargas (1930-1945); e como líder político, na sustentação do regime dos generais (1964-1985).

Nascido em Cuiabá, em 1900, Müller participou do Movimento Tenentista, de oposição à oligarquia da República Velha (1891-1930).  A ascensão de Getúlio Vargas em 1930, com o apoio de grande parte dos tenentes, e a posterior implantação da ditadura do Estado Novo levou Müller para o centro do poder político. Ele personificou a repressão violenta aos movimentos de oposição a Getúlio, principalmente comunistas, mas também integralistas. Em 1932, exerceu papel de destaque no combate à Revolução Constitucionalista de São Paulo. Logo em seguida, assumiu a temida Polícia do Rio de Janeiro (então capital), cargo que ocupou até 1942.

A perseguição aos opositores de Vargas gerou acusações de tortura e assassinatos. A atuação de Filinto Müller é citada, por exemplo, no episódio de deportação da mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes, a judia alemã Olga Benário, que, mesmo grávida, foi entregue à Alemanha, onde seria morta no campo de concentração nazista de Bernburg.

Em 1947, após a ditadura Vargas, Müller conquistou uma cadeira no Senado por Mato Grosso. Foi reeleito em 1955 e 1962. Teve destacada atuação no Senado, exercendo a liderança do PSD e, posteriormente, do governo Juscelino Kubitscheck (1956-1960).

Com o Golpe de 1964 e a cassação dos direitos de inúmeros políticos – inclusive de Juscelino – e a implantação do bipartidarismo, Filinto Müller filiou-se ao partido à Arena, partido que dava apoio político à ditadura militar. Pela legenda, reelegeu-se mais uma vez em 1970.

Müller foi um dos parlamentares mais importantes no apoio ao regime, ocupando a liderança da Arena e do governo no Senado. Em 1973, assumiu a Presidência do Senado. Morreu num acidente aéreo em Paris, em julho do mesmo ano.

Prestes

Já Luiz Carlos Prestes é um dos maiores ícones comunistas da história do Brasil. Líder da Intentona Comunista – movimento para derrubada do governo Getúlio Vargas, capitaneada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1935 –, ele chegou ao Senado ao fim do Estado Novo (1937-1945) e comandou uma bancada de 14 deputados durante a Constituinte de 1946. Teve seu mandato cassado quando o PCB foi declarado ilegal.

Prestes nasceu em Porto Alegre (RS) em 1898, formou-se em Engenharia Militar pela então Academia Militar de Realengo, no Rio de Janeiro, em 1919. Em 1924, já capitão, rebelou-se contra as oligarquias dominantes da Primeira República, e comandou os Rebeldes da Região Missioneira do Rio Grande do Sul, baseado em Santo Ângelo, deslocou-se para Foz do Iguaçu (PR) e, juntando-se aos Rebeldes Paulistas comandados por Miguel Costa, constituiu o Contingente Rebelde denominado Coluna Miguel Costa Prestes, em cujo comando ganhou o apelido de “Cavaleiro da Esperança”, tendo o contingente rebelde ficado historicamente conhecido como “Coluna Prestes”.

Retornou clandestinamente a Porto Alegre em 1930, quando, após dois encontros com Getúlio Vargas, foi convidado para assumir o Comando Militar do movimento rebelde que se tornaria vitorioso, mas recusou o convite. Em 1934, incorporou-se à Aliança Nacional Libertadora, que objetivava a derrubada do governo Vargas.

Derrotado pelas forças do governo, foi preso e torturado antes da deportação de Olga Benário para a Alemanha nazista. Ao fim da ditatura, Prestes chegou a manifestar apoio a Vargas, que voltou ao poder em 1950, pelo voto direto. Eleito senador com grande votação para a Assembléia Constituinte de 1946, quando o PCB obteve 10% dos votos, Prestes liderou uma bancada de 14 parlamentares. Mas teve seu mandato de senador cassado em 1948, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1950) que, no contexto da Guerra Fria, rompeu relações com a União Soviética e cassou o registro do Partido Comunista. Prestes só saiu da clandestinidade em 1979, ano da anistia durante o regime militar. O líder comunista passou então a apoiar o PDT de Leonel Brizola (1922-2004). Prestes faleceu aos 92 anos no Rio de Janeiro.

Com informações do Centro de Documentação da Fundação Getúlio Vargas

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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