Dilma rechaça comparação de embaixada na Bolívia ao DOI-Codi

Rodrigo Baptista | 27/08/2013, 14h20

A presidente Dilma Rousseff rechaçou, nesta terça-feira (27), a comparação que teria sido feita pelo encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia, Eduardo Saboia, de que a situação do senador boliviano Róger Pinto Molina na embaixada era semelhante a de um preso no DOI-Codi, órgão de repressão do regime militar brasileiro.

- Não estamos em situação de exceção, não há nenhuma similaridade. Eu estive no DOI-Codi. Eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz como é distante o céu do inferno - afirmou a presidente, em breve entrevista no Congresso, depois de receber o relatório final da CPI da Violência contra a Mulher.

Opositor do presidente da Bolívia, Evo Morales, Roger Pinto Molina fugiu para o Brasil no último final de semana. A repercussão da operação resultou na substituição do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, por Luiz Fernando Figueiredo, que servia como embaixador do Brasil junto às Nações Unidas.

Denunciado em pelo menos 20 processos por desacato, venda de bens do Estado e corrupção, Molina acusa o governo de Evo Morales de perseguição política. O senador estava refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz havia mais de 400 dias.

O governo brasileiro concedeu asilo político ao senador boliviano em maio de 2012, mas para sair do país, o senador precisaria de um salvo-conduto, negado pelo governo de Evo Morales. Neste fim de semana, então, ele deixou o país com a ajuda de Saboia, numa viagem de carro que durou 22 horas.

Segundo Dilma Rousseff, o Brasil não poderia colocar em risco a vida de uma pessoa que estava sob a sua guarda.

- Não tem nenhum fundamento acreditar que é possível que um governo em qualquer país do mundo aceite submeter a pessoa que está sob asilo a risco de vida. Se nada aconteceu, essa não é a questão. Poderia ter acontecido. Um governo não negocia vidas, um governo age para proteger a vida - disse a presidente.

Dilma informou que o ministro da Defesa, Celso Amorim, vai esclarecer a participação de dois fuzileiros navais na fuga de Molina da Bolívia. Eles teriam atuado como batedores do carro da Embaixada que levou o senador boliviano de La Paz até Corumbá (MS), na fronteira.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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