Tombini: risco de impacto do dólar na inflação é baixo
Da Redação | 18/06/2013, 17h40
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (18) que são reduzidos os riscos de impacto da alta do dólar na inflação brasileira. A previsão foi feita em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Para Tombini, que repetiu os prognósticos positivos em relação à inflação, o Brasil está preparado para enfrentar “ventos contrários”.
O dólar fechou a segunda-feira (17) cotado a R$ 2,166, maior nível desde abril de 2009, mesmo após intervenções do Banco Central.
- O regime de câmbio flexível e uma adequada condução da política monetária reduzem o eventual repasse da depreciação cambial para a inflação - afirmou Tombini, que comparou o regime de câmbio flexível a uma “fortaleza” contra os choques da economia.
A audiência pública realizada pela comissão atende ao Regimento Interno do Senado, que prevê o comparecimento do presidente do Banco Central à CAE a cada três meses. O objetivo é discutir as diretrizes, implementação e perspectivas futuras da política monetária.
Na audiência, Tombini também afirmou que o BC tenta extrair a volatilidade excessiva do mercado, mas negou o uso da política cambial para incentivar a economia ou estabilizar a inflação. Para ele, há outros instrumentos para esses fins.
A declaração veio após questionamento do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que alertou para a interferência do BC no mercado para impedir a desvalorização do real. O senador afirmou, ainda, que o câmbio flutuante é fundamental para manter as contas externas equilibradas e disse considerar, que, com essa política, é impossível haver crise cambial.
Inflação controlada
Sobre a inflação, o presidente do BC, mais uma vez, afirmou que está atento e que fará o que for necessário para combater a alta de preços, que atribuiu aos choques de demanda de origem externa e interna. Para Tombini, o problema está controlado.
- A avaliação do Banco Central, que, mais uma vez quero aqui reafirmar, é de que a inflação tem estado, está e continuará sob controle. A comunicação do Banco Central, respaldada por suas ações, tem sido consistente com essa visão.
Como exemplo, o presidente do BC apontou o início de um ciclo de ajustes na taxa básica de juros da economia (Selic) em abril. Tombini lembrou que a inflação mensal já está em patamar menor que o do início do ano, mas que a inflação acumulada em doze meses ainda apresenta tendência de elevação em curto prazo.
Para o presidente da comissão, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), o Banco Central tem adotado uma política sóbria, que tem o reconhecimento dos senadores. Lindbergh disse apoiar as decisões do BC em relação aos juros, já que as decisões técnicas feitas anteriormente criaram confiança.
- Vossa excelência se forma como um guardião dessa estabilidade monetária – elogiou.
Brasil
De acordo com a apresentação de Tombini, o principal suporte da atividade no Brasil continuará sendo o mercado interno. A previsão é de crescimento do consumo, apoiado pela expansão do crédito, pela geração de empregos, pelos programas de transferências de renda e pelo crescimento dos salários. Tombini também apontou o crescimento dos investimentos, que gerou reflexos no crescimento da produção e da importação de bens de capital.
- É importante mencionar que, além da atual recuperação cíclica da formação bruta de capital, que ocorre em linha com o ciclo dos negócios, criam-se perspectivas de que, nos próximos anos, ocorra uma ampliação da taxa de investimento da economia - disse.
Além disso, Tombini citou o crescimento da produção industrial no trimestre passado, com relação ao anterior, e a perspectiva de safra recorde de grãos em 2013. O crescimento da produção agrícola garante resultados em outros segmentos, como na produção de máquinas agrícolas automotrizes, por exemplo.
Cenário internacional
Segundo Tombini, o ambiente internacional permanece complexo e os riscos para a estabilidade financeira global ainda são altos. Por outro lado, o presidente do Banco Central apontou avanços na atividade econômica em economias maduras e bom desempenho nas economias emergentes.
Para os próximos semestres, ele diz prever avanço da economia nos Estados Unidos. Já para a Europa, as previsões apontam retração em vários países, como Itália, França e Espanha, e desaceleração na Alemanha. Para o Japão, Tombini disse haver boas perspectivas de crescimento, resultado dos estímulos monetário e fiscal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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