CRE discute crise do Mercosul em sabatina de indicado à Embaixada na Argentina

Marilia Coêlho | 21/03/2013, 15h55

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) aprovou, nesta quinta-feira (21), em votação secreta, a indicação de Everton Vieira Vargas para representar o Brasil na Argentina. Em quase três horas de sabatina, os senadores se mostraram preocupados com o futuro do Mercosul e com as relações comerciais entre Argentina e Brasil. Também foi aprovado o nome de Lúcio Pires de Amorim para a Embaixada do Brasil em Belize.

O embaixador Everton Vargas disse que a Argentina vive um momento importante de inserção política no mundo, já que foi eleita como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o mandato 2013-2014. O embaixador citou ainda a reeleição do país para o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.

– O Brasil, pela sua condição de país fronteiriço, pelos vínculos históricos e humanos que o unem à Argentina, e pela sua presença econômica lá, não pode ficar alheio a essa situação. Nossa parceria é estratégica e é ainda mais valorizada na atual quadra atravessada pela ordem internacional – afirmou Vargas.

O embaixador ressaltou ainda a retomada do crescimento econômico da Argentina e disse que a pressão por resultados imediatos não deve atrapalhar o ritmo do relacionamento com o Brasil.

– A agenda positiva precisa ser fortalecida com o aprofundamento da integração econômica e comercial e a concretização dos projetos conjuntos de caráter estratégico em áreas como infraestrutura, mineração, energia, cooperação dos campos nuclear e espacial e integração de cadeias produtivas em setores de alta tecnologia – opinou.

Mercosul

Os senadores questionaram Everton Vargas principalmente sobre a crise política do Mercosul após a entrada da Venezuela no bloco econômico e sobre as relações comerciais com a Argentina. Entre eles, os senadores Jorge Viana (PT-AC), José Agripino (DEM-RN) e o próprio presidente da comissão, Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

Quanto ao Mercosul, Vargas disse que o bloco é um ambicioso e difícil projeto de política externa. No entanto, segundo ele, a crise também acontece em outros blocos, como a União Europeia.

A entrada da Venezuela, para Vargas, é uma questão de estado e traz uma nova dimensão ao Mercosul, que deve ser compreendida não só pelo parlamento, como pela sociedade.

– O Mercosul, com a entrada da Venezuela, passa a ter 70% do PIB da América do Sul; passa a ser um dos maiores exportadores de petróleo do mundo; tem talvez as maiores reservas de petróleo se contarmos o pré-sal. Então isso nos coloca numa situação importante, mas também desafiadora – afirmou.

Para o embaixador, os investimentos brasileiros na Argentina, que somam quase US$ 16 bilhões, significam empregos no Brasil e tecnologia que o Brasil vai desenvolver para exportar.

– Eu acho que esse é o caminho para o futuro, em termos de olharmos a nossa relação com a Argentina e com os nossos demais parceiros do Mercosul – concluiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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