Aloysio Nunes diz que política econômica de Dilma ignora efeitos da crise externa
Da Redação | 05/03/2013, 17h10
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) criticou na tribuna os rumos da política econômica do governo nesta terça-feira (5). Ele também ironizou a afirmação feita no dia anterior pela presidente Dilma Rousseff de que "quando há espirro no exterior, o Brasil não pega mais pneumonia". Ele acredita ser ruim, especialmente para a credibilidade do país no exterior, que a presidente e o ministro da Fazenda entrem em choque na análise das circunstâncias econômicas.
- É claro que crises externas repercutem na economia brasileira e isso vem sendo reconhecido insistentemente pelo ministro da Fazenda [Guido Mantega]. A presidente finge ignorar os problemas com essa metáfora de resfriado e pneumonia, mas há momentos em que o governante precisa enfrentar o povo cara a cara demonstrando que são necessários esforços em tempos difíceis.
Aloysio Nunes citou dados econômicos para embasar sua afirmação de que a presidente não estaria dando importância para as dificuldades reais que o país atravessa. O primeiro deles foi o aumento de apenas 0,9% do PIB no ano passado.
- As contas públicas brasileiras degringolaram em 2012 e o superávit fiscal, de 2,38% do PIB, foi o segundo pior já registrado no país, estando aquém da meta do próprio governo era de 3,11.
Ainda assim, de acordo com o senador, esse resultado foi obtido graças a uma “série de manobras de contabilidade que só acrescenta descrédito às autoridades da área econômica”.
Gastos
O parlamentar sustentou que o governo federal continua gastando muito, investindo pouco e “esfolando o contribuinte” com alta carga tributária. Reclamou de o governo ter sacado R$ 12,4 bilhões do Fundo Soberano – uma espécie de caderneta de poupança – para tapar “buracos decorrentes de uma gestão irresponsável”. Ainda enumerando as supostas manobras do governo, Aloysio Nunes repudiou a antecipação, em dezembro, do recebimento dos dividendos de estatais de R$ 7,6 bilhões referentes a 2013.
O governo, salientou o senador, gastou R$ 80 bilhões no ano passado, mas apenas R$ 6,8 bilhões foram para investimentos, sendo a maior parte para o Minha Casa, Minha Vida. Sem o programa habitacional, o cálculo de investimentos cai para apenas R$ 648 milhões. Além disso, as despesas públicas aumentaram 11% e as receitas, 7%. Aloysio atribui parte dessa queda de arrecadação a “desoneração sem critérios” promovida pelo governo em partes específicas do setor produtivo.
- O primeiro biênio do governo Dilma fracassou na política econômica. Ou ela assume as rédeas do país ou se dedica à campanha eleitoral antecipada. E, tenho certeza, o povo saberá responder a isso nas urnas – concluiu.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: