Requião pede medidas mais firmes para enfrentamento da crise mundial
Da Redação | 10/11/2011, 20h03
O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em pronunciamento em Plenário nesta quinta-feira (10), protestou contra a "timidez" das medidas do governo federal diante da crise econômica mundial e defendeu maior intervenção do Estado contra a especulação financeira. O parlamentar leu artigo do economista Carlos Lessa, publicado no jornal Valor Econômico, que "destrói com maestria toda fatuidade, toda indigência do pensamento neoliberal" e faz ressalvas à atitude da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, diante da crise.
Para Requião, as iniciativas do governo brasileiro são "homeopáticas", quando o crescimento da crise exige "soluções mais pesadas, soluções alopáticas".
- O discurso está correto; a prática está deixando a desejar - lamentou o senador.
Em seu artigo, disse o senador, Carlos Lessa argumenta que Dilma Rousseff tem consciência de que a crise iniciada em 2008 será longa e que, para superá-la, é preciso "vontade civilizatória e solidária do povo" para "explicitar e desdobrar um projeto nacional". O artigo ainda critica duramente os movimentos especulativos das finanças mundiais, sugere medidas como o controle cambial e a preferência a fornecedores brasileiros nas compras públicas, e elogia a atitude do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que orientou os bancos oficiais a expandir o crédito.
Requião sugeriu que a presidente observe com atenção o exemplo da Argentina, onde a presidente Cristina Kirchner adotou, nas palavras de Carlos Lessa, "medidas radicais de defesa nacional" e acabou reeleita. O senador também criticou a independência do Banco Central:
- O Banco Central deveria perder a sua independência e se curvar aos interesses do país inteiro. Se o Banco Central vai cuidar do emprego, do desenvolvimento e da moeda, para que nós elegemos presidente da República? Que função sobra para o Executivo?
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), em aparte, defendeu um imposto mundial sobre operações financeiras, desde que associado a um programa de renda mínima.
Agricultura
Roberto Requião também manifestou preocupação com a greve na Secretaria de Agricultura do Paraná, que tem causado prejuízo à economia de seu estado. Entre os efeitos da paralisação, o senador destacou a falta de emissão de guias de transferência de animais, o que tem deixado frigoríficos e caminhoneiros sem atividade. Requião ainda alertou para a suspensão da vacinação contra a febre aftosa, o que põe o Paraná em risco sanitário por falta de fiscalização nas fronteiras.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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