Notas taquigráficas permitem ao cidadão acesso rápido ao trabalho do Senado
Da Redação | 22/07/2011, 18h29
Dia de sessão em Plenário. Um senador acaba de fazer seu discurso de 20 minutos. Em seguida, na página do Senado na internet, o usuário já pode obter o início do texto. Dentro de mais 15 ou 20 minutos, em média, a transcrição integral do pronunciamento estará disponível. Para grande parte dos usuários, toda a agilidade se justifica pela tecnologia disponível nos dias atuais. Poucos sabem, no entanto, que por trás da rapidez também está o trabalho de profissionais que utilizam um sistema criado há mais de dois mil anos: a taquigrafia.
No Senado Federal, tudo o que acontece no Plenário e nas comissões é registrado pelos taquígrafos. O registro do Plenário é feito presencialmente e o texto é publicado dentro de poucos minutos na internet. Em geral, o tempo é menor do que o necessário para transcrever o texto de um arquivo de áudio, por exemplo. Para os textos das comissões, a publicação pode levar alguns dias, já que muitas delas têm reuniões em horários coincidentes.
- O trabalho é muito concentrado às terças, quartas e quintas-feiras. Nesses dias, chegam a ser realizadas 11 reuniões de comissões por dia, muitas das quais simultaneamente - explicou a diretora da Taquigrafia do Senado, Patrícia Portella Martins.
Todo esse trabalho - para se ter uma idéia, somente em maio de 2011, foram 352 horas, o equivalente a mais de 14 dias inteiros, entre Plenário e comissões - é realizado por uma equipe de pouco mais de 60 taquígrafos. Divididos em dois turnos, eles cobrem o período das 8h30 até o fim dos trabalhos no Plenário, que muitas vezes tem passado das 22h. Ainda assim, segundo a diretora, todas as notas do primeiro semestre de 2011 já estavam disponíveis na internet no dia 19 de julho, um dia após o fim do recesso legislativo.
Para ela, o trabalho realizado no Senado se destaca com relação ao dos parlamentos de outros países. Em Portugal, por exemplo, a grande maioria das comissões não tem os textos disponíveis para o cidadão. No Japão, o uso de programas que captam a voz e transformam em texto está sendo implantado.
No Senado brasileiro, já foram realizadas reuniões para discutir essa possibilidade, mas algumas dificuldades tornam o uso dessa tecnologia inviável. A diretora cita como exemplo os debates. Além de não diferenciar as vozes dos diversos senadores, o programa poderia transcrever algumas palavras de acordo com o som e "se viu" poderia acabar como "civil" no papel. Para a secretária-geral da Mesa, Claudia Lyra, a tecnologia apenas complementa o trabalho do profissional.
- Até dizem que a profissão de taquígrafo está obsoleta, fora de moda. De jeito nenhum! Ninguém substitui o ser humano. Ainda assim, a inovação tecnológica vem ajudar tremendamente na agilidade da oferta da nota taquigráfica - afirmou Claudia Lyra, que destacou a disponibilidade de o cidadão obter, em uma só página na internet, os textos, o áudio e o vídeo dos trabalhos do senado.
Como acessar
Para obter as notas taquigráficas das comissões e do Plenário, basta acessar o site do Senado e, na barra horizontal localizada na parte de cima da tela, clicar em atividade legislativa. Na barra vertical "Consulte", localizada à esquerda, escolher os links Plenário do Senado ou Comissões do Senado. Dentro das páginas, à direita, estão os serviços Pronunciamentos e Comissões Online, em que é possível pesquisar as notas por diferentes critérios. Os links para os textos também estão disponíveis dentro das notícias da Agência Senado que se referem a pronunciamentos e nas páginas dos senadores e das comissões.
Sobre a taquigrafia
A taquigrafia, ou escrita rápida, permite ao profissional treinado escrever com a velocidade da fala. Usando papel e lápis ou caneta, o taquígrafo utiliza símbolos, os taquigramas, para representar sons falados, terminações de palavras e frases comuns. Existem inúmeros sistemas de taquigrafia e cada profissional pode criar características próprias, já que o importante é que ele seja capaz de traduzir o que foi escrito.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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