Roberto Requião faz alerta para operações que podem dar prejuízo à Paraná Previdência

Da Redação | 17/05/2011, 17h15


O senador Roberto Requião (PMDB-PR) alertou em Plenário nesta terça-feira (17) para a possibilidade de operações de compra de letras do Tesouro Nacional pelo fundo da Paraná Previdência, com a intermediação de operadoras privadas, que poderão resultar em grave prejuízo para os beneficiários do fundo. O problema estaria na comissão que seria cobrada pela instituição financeira privada, que intermediaria o negócio.

- É o Fundo de Previdência do Estado do Paraná, com R$6 bilhões em caixa e R$ 894 milhões de superávit no exercício de 2010. Mas que corre risco na mão de pessoas que são apenas negociantes e não governantes, porque nada a ver têm com o interesse público - disse, ao referir-se a um suposto encontro do atual presidente do fundo com um banco intermediário de ações.

Roberto Requião salientou que o fundo da Paraná Previdência é um dos maiores do Brasil. Ele relatou que durante período em que governou o estado do Paraná foi procurado por um grupo que propunha a compra de letras do Tesouro Nacional, com a intermediação de corretora privada. A comissão que ficaria com a corretora pelo negócio, afirmou, seria de 7%, enquanto o governo do estado ficaria com uma comissão 8% do valor investido pelo fundo de previdência.

Para sua surpresa, declarou o parlamentar, o Banco Central não só havia considerado essas operações normais, como chegou a regulamentá-las. Roberto Requião, porém, relatou ter denunciado o caso - por meio da Escola de Governo do Paraná, que tem uma televisão pública - e acionado o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para investigar o negócio,

Como conseqüência, continuou, o governo paranaense pôde efetuar a compra de títulos do Tesouro Nacional pela Paraná Previdência por meio do Banco do Brasil, que, depois de pressionar pelo uso de uma corretora privada, acabou cedendo.

- Acabei conseguindo fazer que o Banco do Brasil, sem a intermediação de uma corretora, sem comissão nem para o governo, nem para uma corretora privada, efetuasse a operação - declarou.

Para reforçar o alerta, o parlamentar mencionou episódio ocorrido quando também era governador do Paraná, em 2004. Na ocasião, foi informado pelo banqueiro Joel Malucelli, do Paraná Banco, sobre a possibilidade de quebra do Banco Santos. Com isso, Roberto Requião decidiu ordenar a retirada de R$ 364 milhões que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) tinha investidos na instituição financeira. O então diretor da Copel, porém, teria dado uma contra-ordem à sua revelia, mantendo assim R$ 34 milhões no Banco Santos. Com a confirmação da quebra do banco, o dinheiro da Copel se perdeu.

- Eu coloco esses fatos para alertar: governo é governo, negócio é negócio. E o Paraná está correndo o sério risco. Ficou aqui o registro de operações anunciadas e que ninguém poderá dizer mais tarde que não foram denunciadas, senão na imprensa silenciosa do Brasil, mas pelo menos na tribuna do Senado Federal - concluiu.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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