Para Heráclito, orçamento é feito de maneira desorganizada e leviana

Da Redação | 22/12/2010, 20h04


O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) protestou, nesta quarta-feira (22), contra "a maneira desorganizada e leviana com que se trata o orçamento de um país como o Brasil". Para ele, "é inaceitável que o país não tenha tido ainda a coragem de implantar um orçamento impositivo, onde o que foi aprovado [pelo Congresso Nacional] obrigatoriamente tenha de ser pago".

Em pronunciamento, o representante piauiense afirmou que o fato de o governo não honrar aquilo que assume na discussão do orçamento facilita a corrupção na peça orçamentária, cuja apreciação, segundo ele, é a mais importante atividade legislativa.

Sem citar nomes, o senador disse haver "ministro que manipula as verbas orçamentárias e usa e abusa dessa manipulação para atender a compromissos políticos, desautorizando o que essa Casa vota".

- No Brasil não se faz orçamento para a nação ou para as prioridades, mas sim para atender a empreiteiras e a interesses às vezes não muito claros - afirmou o senador, defendendo que o processo atual de discussão e votação seja rasgado, "porque é uma peça de ficção".

Para o parlamentar, a votação do orçamento "não passa de um arrumadinho, de um ajeita, onde, para que se chegue a um consenso, é preciso que o parlamentar responsável pelo orçamento assuma compromissos que ele mesmo não sabe se irá cumprir".

O senador citou emendas aprovadas para realização de carnavais fora de época em várias cidades brasileiras. As emendas, afirmou, têm como justificativa "melhorar o fluxo turístico e a infraestrutura", mas os recursos são investidos em "eventos de pouca explicação" que "se vão na noite, nos tamborins e nos abadás".

- No Senado Federal, o partido mais forte é o do orçamento, que se reúne na calada da noite, com acesso restrito a poucos, e às vezes somos obrigados a engolir goela abaixo o que vem por aí - afirmou o parlamentar.

Ele desafiou a imprensa e o governo a provarem que pelo menos 10% dos 74 senadores que registraram presença nesta quarta-feira estivessem de fato na Casa para votar o orçamento.

Em aparte, os senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lamentou que Heráclito somente fizesse a crítica "poucas horas antes de terminar legislatura". Ele reconheceu que os senadores são omissos na maneira como o orçamento tramita no Congresso Nacional. O senador Mão Santa (PSC-PI) também apoiou Heráclito em aparte.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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