Goellner critica construção de hidrelétricas sem eclusas e diz que há risco de 'apagão logístico'

Da Redação | 30/11/2010, 18h03


A construção de 11 usinas hidrelétricas no estado do Mato Grosso, com leilão previsto para o dia 17 de dezembro, se dará sem a previsão conjunta de construção de eclusas que permitam sua navegabilidade, resultará em aumento de custo das obras, provocando várias dificuldades técnicas e o que é pior: a impossibilidade de uma alternativa mais barata e menos poluidora de escoamento de grãos do estado para o Pará e o Amazonas.

A afirmação foi feita pelo senador Gilberto Goellner (DEM-MT) em pronunciamento da tribuna, com base em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (30).

- Se essas hidroelétricas forem construídas sem as eclusas, irão condenar, por completo ao isolamento a maior região produtora de grãos do país: o meu estado do Mato Grosso. Dessa região saem 19 milhões de toneladas de soja por safra. Corremos um sério risco de um apagão logístico, que vem inviabilizar o escoamento da nossa produção. Estamos muito próximos ao completo esgotamento. E o governo o que faz? - afirmou.

Ele observou que a construção da eclusa junto com a usina teria um custo de 6% a 7% do total da obra, conforme a Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), enquanto construí-la posteriormente custa o equivalente a 30% dos custos da obra.

O parlamentar avalia que o governo parece ignorar a importância do escoamento de grãos por vias alternativas às rodovias, modal de transporte altamente poluente e que se encontra em péssimas condições. Pelos seus cálculos, cada "comboio fluvial" teria capacidade para transportar 18 mil toneladas de grãos correspondentes a 600 carretas, o que reduziria a poluição e diminuiria a concorrência dos caminhões com os automóveis nas estradas.

Goellner enfatizou que somente o estado do Mato Grosso produziu em 2007-2008 27 milhões de toneladas de grãos e carne, número que em 2014 deverá subir para 40 milhões de toneladas.

Para fundamentar melhor seu argumento, Goellner citou matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo na qual levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) o Brasil fica em último lugar em ranking de 14 países com as piores estruturas de transporte e logística, especialmente pela carência de conexões entre os principais modais de transporte. Nesse sentido, o parlamentar criticou a falta de cooperação entre os ministérios dos Transportes e de Minas e Energia, por não atuarem em conjunto na busca de soluções para os problemas de logística e transporte no país.

Malha ferroviária

Outro problema apontado pelo senador é o pequeno tamanho da malha ferroviária do país, segundo ele, de apenas 28 mil quilômetros, acrescido do fato de a carga ferroviária estar concentrada em poucos produtos, sendo que somente o minério de ferro responde por 74% do transporte por esse modal.

- Qual não é minha surpresa: o governo pouco ou nada fez sobre essa realidade. Novamente comete-se o mesmo erro - reclamou.

O senador destacou emenda de R$ 237 milhões, ao Orçamento de 2011, de sua autoria, apresentada na Comissão de Infraestrutura de Serviços (CI). Os recursos seriam aplicados em estudos e projetos de infraestrutura de transporte em hidrovias e ferrovias que permitiram a construção da hidrovia Tapajós-Juruena-Teles Pires.

- O país parou por 20 anos, sem melhoria do transporte.
Precisamos, então, desses investimentos expressivos para fazer com que a infraestrutura de transportes acompanhe o desenvolvimento econômico. Caso contrário, todo o trabalho produtivo do país terá sido em vão. - observou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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