Azeredo condena vazamentos do Wikileaks, mas minimiza conteúdo
Da Redação | 30/11/2010, 20h35
O senador Eduardo Azeredo (PSDB- MG) disse em pronunciamento nesta terça-feira (30) que a violação de sistemas de dados do governo dos Estados Unidos é o aspecto mais negativo do mais recente vazamento de informações diplomáticas efetuado pela organização não governamental Wikileaks.org. Tanto o vazamento quanto as revelações feitas pelo site da ONG causaram mal-estar nos últimos dias, levando inclusive a um pronunciamento da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.
Azeredo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, condenou o uso dos artifícios ilegais que possibilitaram aos integrantes da ONG obter e divulgar informes diplomáticos do Departamento de Estado, que expuseram ao mundo alguns pontos de vista dos EUA sobre as políticas externas de diversos países; a natureza das relações entre chefes de Estado importantes; e o monitoramento de diplomatas da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com sites de notícias brasileiros que tiveram acesso a documentos divulgados pelo Wikileaks, a diplomacia dos EUA acredita que o Brasil reluta em aprovar uma lei antiterrorismo e prende suspeitos dessa prática sob outras acusações. Em outro informe, teria ficado claro que os diplomatas estadunidenses consideram que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não é simpático aos Estados Unidos, ao contrário do ministro da Defesa, Nelson Jobim.
- A Wikileaks está dando informações confidenciais dos Estados Unidos, da área diplomática dos Estados Unidos, e a forma como essas informações foram obtidas é que é o problema. A maior parte das informações é obtida através de hackers [ciberpiratas]. São pessoas que entraram em informações protegidas e, portanto, ameaçam todo o sistema de informações no mundo todo - opinou Azeredo.
O senador, entretanto, minimizou a relevância do material publicado na internet e em jornais e revistas impressos.
- Não há nenhuma novidade quando se fala que existe certa política antiamericanista no Brasil, ao estilo dos anos 60, preconceito que não se justifica. Nós temos que ter uma política externa que seja independente, não atrelada a nenhum bloco. Mas é importante lembrarmos que essas informações foram liberadas de maneira ilegal. Assim, é mais um alerta sobre o que tem acontecido no mundo em relação aos hackers - advertiu o parlamentar, que é autor de um projeto de lei destinado a regulamentar o funcionamento da internet no Brasil.
A ONG que mantém o Wikileaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos sediada na Suécia e que tem como prática publicar documentos oficiais e confidenciais, como alguns sobre a Guerra no Iraque.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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