Patativa, poeta que fazia versos enquanto capinava
Da Redação | 20/10/2010, 15h48
Matéria atualizada em 21/10/2010 às 09h56
O poeta cearense Antônio Gonçalves da Silva - o Patativa do Assaré - compunha versos enquanto trabalhava com a enxada na roça. À noite, registrava os poemas em papel, à luz de lamparina. Quem conta é o filho do poeta, Geraldo Gonçalves de Castro, que acompanha o caminhão-museu do Projeto Patativa Encanta em Todo o Canto. O veículo abriga obras do poeta, filmes e vídeos sobre sua vida e esteve estacionado na quarta-feira (20) em frente do Congresso Nacional.
Geraldo de Castro também contou à Agência Senado como Patativa publicou o primeiro livro - Inspiração Nordestina, em 1956. Ao declamar na emissora de rádio Araripe, foi ouvido pelo latinista José Arraes de Alencar, que se encantou com as poesias. Foi Alencar que o incentivou a editar o livro. Para poder pagar a impressão, Patativa "vendia legume na folha", expressão cearense que significa comercializar o livro antes de sua publicação, explicou seu filho.
- Meu pai era uma pessoa muito humilde, muito simples. Ele não foi só um poeta. Patativa nunca fez profissão da lira dele. Era um pobre agricultor, cantador de viola e cordelista, compositor e escritor - confidenciou o filho do poeta.
O Projeto Patativa Encanta em Todo o Canto, uma promoção da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, é uma comemoração ao centenário de nascimento do poeta. Na quarta-feira, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) autografou o livro Patativa do Assaré - Poeta Universal, organizado pelo parlamentar.
Trajetória
O museu itinerante percorre o país desde o início do ano passado e tem visitação gratuita. O caminhão já percorreu 82 cidades do Ceará e também esteve no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, e na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Na quinta-feira (21), o veículo estará em Ceilândia, no Distrito Federal.
Como explica o professor Eymard Freire, que acompanha o projeto, Patativa, apesar de ter cursado apenas quatro anos de ensino formal, se expressava com linguagem culta, sendo profundo conhecedor da língua portuguesa. Em sua formação poética, Patativa leu importantes autores, como Castro Alves, Luís de Camões, Cecília Meireles, entre outros. A obra de Patativa já foi traduzida, integralmente ou em parte, para o francês, italiano, espanhol e inglês. Também foi estudada na Universidade de Sorbonne, na França, e tem sido objeto de pesquisa por acadêmicos de vários países.
O projeto Patativa Encanta em Todo o Canto, conforme informou o coordenador de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Ceará, Cândido Neto, termina em Brasília. No entanto, ele diz que há interesse por parte de instituições culturais em levá-lo a outras cidades do Nordeste. Informações sobre o projeto estão disponíveis no site: http://www.patativaencantaemtodocanto.com.br.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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