Níura Demarchi acusa governo Lula de aparelhamento da máquina pública

Da Redação | 07/10/2010, 19h26


A senadora Níura Demarchi (PSDB-SC) usou seu discurso na tribuna nesta quinta-feira (7) para acusar o governo Lula de aparelhamento da máquina pública por sindicalistas e pessoas filiadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), com o objetivo de perpetuar um projeto de poder. Fez isso com base em estudo da historiadora Maria Celina de Araújo, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que lançou recentemente a obra A Elite Dirigente no Governo Lula, sobre o perfil da elite dirigente no âmbito do Executivo.

- Quero chamar a atenção dos eleitores que atestarão sua cidadania ao votar no segundo turno que há sinais claros que refletem uma partidarização do Estado nacional - declarou.

Segundo dados apresentados pela senadora, 45% dos 1.219 cargos de direção e assessoramento superior foram entregues a sindicalistas, 82% dos quais são filiados ao PT. Ela levantou também que, desde o início do governo Lula 6.045 servidores de carreira filiaram-se ao PT e, conforme a senadora, "curiosamente", 70% deles foram promovidos ou ganharam cargos de chefia.

Além disso, informa a parlamentar, dos 40 cargos mais cobiçados do governo, 22 são ocupados por partidários de Lula e filiados ao PT. Níura chama atenção que esses cargos comandam um orçamento estimado em R$ 870 bilhões, equivalente a um quarto do Produto Interno Bruto (PIB), que "está sob a administração direta de quadros partidários e ligados a sindicatos e centrais sindicais".

- É natural, bem o sabemos, preencher os cargos de confiança com pessoas ligadas ao partido do governo, mas não é natural que não haja critérios transparentes , de conhecimento da sociedade brasileira, para o preenchimento dessas vagas - criticou.

E completou seu pensamento, criticando diretamente a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff:

- Em 2003, a Casa Civil passou a concentrar a nomeação de todas essas pessoas. O que era uma coisa inédita, as nomeações eram dispersas, iam para a Presidência, para os ministérios. Também não é natural que a noção de serviço público seja substituída, nos escalões superiores da burocracia federal, pela fidelidade ao projeto de poder de quem quer que seja - disparou.

Níura ressalta que, pelo estudo de Maria Celina de Araújo, tais servidores públicos não são imparciais e desinteressados. São classificados como tendo "níveis de participação e inserção política e social muito acima dos que são praticados pela média da sociedade brasileira".

O estudo aponta ainda uma forte conexão entre os servidores públicos sindicalizados e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), revelou a senadora, evidenciando uma forte tendência de sindicalismo a partir da Constituição de 88. A senadora cita ainda estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2006 que mostra o contraste entre uma sindicalização de apenas 18% em 17 milhões de trabalhadores contra 40%no governo federal.

Níura avalia que neste momento político é oportuno discutir os critérios de preenchimento dos cargos de confiança, tendo em vista a "sucessão de escândalos do governo Lula", e mostrar as incoerências do PT que, declarou, se diz "defensor da democracia".

E cita uma conclusão do trabalho de Maria Celina de Araújo: "Quando Lula deu fim à diversidade de afiliações políticas que era respeitada nos outros governos democráticos, ele não apenas eliminou do serviço público uma vacina contra a intolerância e a radicalização política como também comprometeu a vigilância da própria máquina. As instituições do estado passaram a ser subservientes aos interesses do governo do PT - e não do restante da população".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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