Marisa Serrano diz que presidente Lula se apequena ao desempenhar papel de 'animador de palanques'

Da Redação | 06/07/2010, 17h51

"O presidente Lula não precisa se apequenar ao papel de animador de palanques", opinou a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) ao registrar sua indignação com o fato de o presidente da República agir como militante, ao invés de chefe do Executivo. Ela afirmou que de nada adiantou os mais de R$ 40 mil em multas aplicadas pela Justiça Eleitoral nas seis vezes em que considerou o presidente culpado por antecipação de campanha eleitoral.

- Lula esquece que é presidente da nação, de todos os brasileiros, independentemente de raça, credo, sexo e ideologia. Ele precisa separar a imagem dele da imagem do militante. Quando o presidente da República diz que vai trabalhar em prol de uma candidatura no horário fora do expediente, ele está cometendo uma violência contra a democracia - advertiu Marisa Serrano.

Segundo a senadora pelo Mato Grosso do Sul, até a subprocuradora da República, Sandra Cureau, responsável pela punição por propaganda antecipada, reclamou da "verborragia presidencial". Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a representante do Ministério Público teria dito: "não sou eu quem multa, Lula é que não consegue ficar de boca calada". Marisa Serrana comentou que o presidente age assim por ter certeza de que sua atitude ficará impune.

Violência contra a mulher

Marisa Serrano também divulgou a publicação, pelo O Estado de S. Paulo, da segunda parte do estudo Mapa da Violência no Brasil 2010, do Instituto Sangari. O documento apurou que, nos últimos dez anos, a cada dia dez mulheres foram assassinadas no Brasil. No total, 41.532 mulheres foram mortas no período, grande parte das vezes por motivos passionais.

Para parlamentar do PSDB, o país tem sim que comemorar a aprovação, em 2006, da Lei Maria da Penha, que incentiva a denúncia de crimes de violência doméstica, garantindo medidas de proteção para a mulher e punições mais duras e rápidas contra os agressores. Porém, completou muito ainda precisa ser feito: sobretudo ampliar as políticas que coíbam a violência contra a mulher e os investimentos nas delegacias especializadas de atendimento à mulher.

- Apesar de estarmos em pleno século 21 e de acompanharmos as conquistas femininas a cada dia, muitos maridos e namorados, ou ex, ainda não entenderam que a mulher não é propriedade deles e que a vida delas não lhes pertence - afirmou Marisa Serrano.

Em aparte, o senador Arthur Virgílio (PDSB-AM) cumprimentou Marisa por ela defender as mulheres. Ele observou que a atitude da parlamentar "não é aquela coisa infantil de dizer que mulher vota em mulher, como é o caso da campanha presidencial". Arthur Virgílio comentou que no caso eleitoral, a candidata mulher é comandada o tempo inteiro por um homem, referindo-se a Dilma Rousseff e ao presidente Lula.

Já a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) concordou que a Lei Maria da Penha é uma legislação fundamental para diminuir a violência praticada contra a mulher. Porém, a parlamentar potiguar destacou como fundamental um maior rigor na exigência do cumprimento dessa lei. Enquanto isso não ocorrer, lamentou, continuará havendo muita impunidade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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