Senado apresenta teatro de bonecos em comunidade carente de Belo Horizonte
Da Redação | 20/05/2010, 20h27
Emerson Felipe Fernandes completou 15 anos nesta quinta-feira (20), mesmo dia em que sua colega Laura Corina comemorou seu décimo primeiro aniversário. Junto com cerca de 80 pessoas - entre crianças, jovens e adultos - eles celebraram a data assistindo ao espetáculo de mamulengo O Casamento de Chiquinha Muito Prazer com Tião Sem Sorte. A apresentação do teatro de bonecos, pelo servidor da Secretaria Especial de Editoração e Publicações (Seep), Josias Wanzeller da Silva, foi exclusiva para as comunidades do complexo Vila do Perrela, na região leste de Belo Horizonte.
O complexo Vila do Perrela é composto pelos aglomerados Vila Dias, Vila São Vicente e "Torres Gêmeas". Segundo pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro, no ano de 2006, o complexo divide com os bairros Taquaril e Castanheiras e a Vila Cabeça de Porco os últimos lugares da região metropolitana no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). "Torres Gêmeas" é a forma popular como é conhecido o Condomínio San Martin, no bairro de Santa Tereza. Cerca de 150 famílias sem-teto ocupam os apartamentos desde meados de 1995, quando construtora responsável pela obra faliu.
A apresentação do teatro de bonecos de Josias Wanzeller foi realizada na sede do programa Ação & Cidadania, em Santa Tereza, onde antigamente era a concentração da Associação Esportiva Santa Tereza, clube de futebol mineiro que revelou atletas como Nelinho, Palhinha, Cleisson, Irênio e Alex Mineiro. O clube cedeu suas instalações para que fosse desenvolvido esse programa social que é gerenciado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Grupo de Apoio Social Solidariedade (Gass) em parceria com a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais.
O gestor do programa é o major João Carlos Figueiredo de Assis, comandante do 1° Batalhão de Polícia Militar. A idéia de implantar o Ação & Cidadania surgiu a partir da necessidade de romper o isolamento das iniciativas em segurança pública e de promover a paz social nos bairros sob a responsabilidade do 16° Batalhão da PM, que era comandado pelo major João Carlos. O projeto foi desenvolvido para levar às crianças, adolescentes e jovens noções de ética, direito, cidadania e diversidade. Para alcançar esta finalidade, diversas atividades foram organizadas, sobretudo nas áreas da cultura, da arte, do esporte e do lazer.
A coordenadora do Ação & Cidadania, Maria das Graças Lopes, explica que as mais de 500 pessoas atendidas pelo programa participam de oficinas permanentes de balé, percussão, capoeira e artesanato. Nesse total, além das crianças e dos adolescentes, estão incluídos também alguns pais e mães que participam de cursos de capacitação profissional e de geração de renda e também jovens e adultos matriculados nos cursos de alfabetização. A professora Ana Paula Leite Assunção ministra aulas para uma turma de 28 alunos de idades que variam de 15 a 81 anos.
O curso de alfabetização para jovens e adultos é realizado através de uma parceria com a Petrobras, o Instituto Paulo Freire e a Federação Única dos Petroleiros (FUP). Parceria é a palavra mágica que vem permitindo que o programa Ação & Cidadania ofereça serviços que estão permitindo reduzir a exclusão social e também os índices de violência na região onde atua. A contabilidade da Polícia revela uma redução expressiva nos assaltos de menores com armas de fogo e também uma diminuição nos casos de abuso sexual, devido ao incentivo que os jovens vêm recebendo para denunciar.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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