Faltam computadores para rodar ferramentas contra pedofilia
Da Redação | 24/03/2010, 18h10
Uma série de ferramentas tecnológicas para análise de textos, imagens e símbolos, capaz de ajudar na identificação de conteúdo de pornografia infantil, foi desenvolvida pelo Google e colocada, há quase um ano, à disposição da SaferNet Brasil e do Ministério Público Federal em São Paulo. Projetadas em atendimento ao termo de ajuste de conduta (TAC) assinado em 2 de julho de 2008 entre a CPI da Pedofilia , o Ministério Público Federal em São Paulo, a SaferNet e o Google, essas ferramentas ainda não foram utilizadas por falta de computadores capazes de processá-las.
Em balanço das atividades do TAC, durante audiência pública, o presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), anunciou a intenção de buscar apoio de empresas privadas, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para assegurar os meios necessários à plena utilização dessas ferramentas.
O diretor de Políticas Públicas e Relações Governamentais do Google, Ivo Corrêa, explicou na CPI da Pedofilia que essas ferramentas foram desenvolvidas no âmbito do projeto Cosme. Trata-se de um classificador de texto, capaz de calcular automaticamente a probabilidade de ocorrência de crime em cada uma das páginas analisadas. Há ainda um detector de imagens e um detector de símbolos, que igualmente calculam a probabilidade de esses elementos gráficos estarem associados a atividade ilegal. Integra ainda o conjunto de ferramentas um visualizador de dados numéricos e de tendências.
Orçamento
O senador José Nery (PSOL-PA), também presente à audiência, disse que o Parlamento vem fazendo sua parte no combate à pedofilia e cobrou responsabilidade do Estado brasileiro com o assunto. Uma das sugestões de Nery é que se coloquem no Orçamento da União para 2011 recursos financeiros necessários ao aparelhamento dos órgãos de repressão a esse tipo de crime.
Magno Malta concordou com a sugestão, mas afirmou que, como as ferramentas estão prontas, "devemos usá-las o mais rapidamente possível". Por isso, propôs que, numa ação pontual, a CPI busque o apoio de empresas privadas, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para assegurar, de imediato, o início de operação das ferramentas desenvolvidas pelo Google e da análise das 30 mil páginas do Orkut ainda não examinadas.
Coordenação
O delegado da Polícia Federal Carlos Eduardo Miguel Sobral explicou que, como há milhares de denúncias de crimes de pedofilia nas páginas da internet, diariamente, a ação para combater esse tipo de delito precisa ser bem planejada. A coordenadora do Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal, Priscila Costa Schreiner, disse ser necessário estabelecer um foco preciso para que o esforço produza resultados concretos.
Num balanço do TAC, Ivo Corrêa informou que o Google atendeu 7.928 ordens judiciais relativas a páginas do Orkut com conteúdo suspeito de ter pornografia infantil. Criou-se também uma ferramenta de comunicação direta do Google com o Ministério Público Federal em São Paulo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: