Simon comenta decisão de José Eduardo Cardozo de abandonar eleições

Da Redação | 19/03/2010, 14h15

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) foi ao Plenário nesta sexta-feira (19) para comentar a decisão do deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), anunciada no último dia 12, de não mais disputar eleições. Simon disse que admira o deputado, mas lamenta o anúncio. Cardozo ressaltou que a ausência de uma "radical" reforma eleitoral foi um dos principais motivos de sua decisão.

- Ele se desiludiu após uma luta intensa para moralizar a causa pública, a começar pela forma como a eleição se realiza - declarou Simon.

O senador pelo Rio Grande do Sul frisou que Cardozo "defendeu fanaticamente, por exemplo, a verba pública de campanha, mas foi derrotado". Quando anunciou a decisão, o deputado disse não se sentir "confortável em disputas nas quais os recursos financeiros cada vez mais decidem o sucesso de uma campanha, em que apoios eleitorais não são obtidos pelo convencimento político das idéias, pelo programa ou pela atuação do candidato, mas quase sempre pelo quanto de 'estrutura' financeira ele pode distribuir".

Nesse contexto, Simon defendeu a realização de mobilizações populares a favor da reforma política. Segundo ele, é necessário implementar medidas como o voto distrital, o financiamento público das campanhas eleitorais e a fidelidade partidária.

- Se o povo topasse ir às ruas para fazer essa movimentação, estaria moralizando a vida política brasileira - argumentou ele.

Ao reiterar sua admiração por Cardozo, Simon lembrou que, no "auge" do escândalo do mensalão, houve membros do PT que defenderam uma reforma no partido, "com Tarso Genro à frente desse movimento e José Eduardo Cardozo como seu aliado".

- Mas o PT não fez a recriação que Tarso queria - observou o senador, que durante o discurso ressaltou sua decepção com esse partido após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República.

Apesar do anúncio de que não mais concorrerá em eleições, José Eduardo Cardozo não abandonará a carreira política. Ele continua a atuar como secretário-geral do PT. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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