Marisa Serrano comunica que PSDB encaminha representação contra Vaccari
Da Redação | 17/03/2010, 16h40
Em pronunciamento nesta quarta-feira (17), a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) comunicou que o PSDB, por iniciativa do senador Alvaro Dias (PR), decidiu entrar com representação na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o tesoureiro do PT e presidente licenciado da Cooperativa Habitacional dos Bancarios (Bancoop), João Vaccari Neto.
De acordo com reportagens publicadas pela revista Veja, Vaccari é investigado por suspeita de estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, e ainda pela cobrança de propina para intermediar recursos de fundos de pensão usados no "mensalão" do PT, em 2005. A informação foi prestada sob o benefício da delação premiada à PGR pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, tido como um dos maiores especialistas em fraudes financeiras no país. O caso é investigado pelo promotor José Carlos Blat.
Marisa Serrano lembrou que o Senado já aprovou requerimento, também de autoria de Alvaro Dias, para que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça auditoria nas aplicações dos fundos de pensão Previ (Banco do Brsil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petrus (Petrobras). A senadora lembrou que o Senado já aprovou requerimento que solicita o comparecimento de Blat, Vaccari e Funaro à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para esclarecer as irregularidades que envolvem os fundos de pensão.
A senadora mencionou ainda que 30 dirigentes de associações de vítimas da Bancoop estiveram na CDH nesta quarta-feira. Marisa Serrano disse que muitos deles "perderam tudo" ao financiar imóveis com a cooperativa e até hoje "não têm idéia do apartamento", que "sumiu, desapareceu". A senadora frisou ainda que a Bancoop " lesou mais de 400 famílias" e é acusada "de desviar pelo menos 100 milhões de reais para supostamente destinar a campanhas políticas do PT".
Em aparte, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) demonstrou ceticismo com a iniciativa do PSDB. Contou que um amigo dele, várias vezes candidato a vereador em Vitória pelo PT, sem ter sido eleito, lhe garantiu que seu partido "defende os ladrões" ligados à sigla, "ao contrário de outra agremiação, que em episódio recente de corrupção envolvendo o governador de uma unidade da Federação, agiu de forma covarde e não teve peito para de defender os seus corruptos".
- Não adianta CPI, não adianta vir o promotor, não adianta nada. Vossa Excelência está perdendo o seu tempo. E o Senado, o dele - disse Camata.
Já o senador Mario Couto (PSDB-PA) disse estar cansado de subir à tribuna para dizer que o país atravessa uma "ditadura política". Ele afirmou que o Executivo "engessou, desmoralizou" o Legislativo, mas discordou de Camata e disse que Marisa Serrano não perde tempo ao cobrar providências contra a corrupção.
- O Senado vota o que quer, quando vota. Ninguém fiscaliza o Executivo, pode roubar como quiser. O governo está aí para fazer o que quer - afirmou.
50 anos de Brasília
Em seu discurso, Marisa Serrano lamentou ainda que Brasília chegue aos 50 anos no dia 21 de abril "de cabeça baixa" em razão dos escândalos que envolvem o pagamento de propina a membros do Executivo e Legislativo locais.
- Não devia. O povo brasiliense é um povo altivo, trabalhador, que deu esperança a este país. Mas as provas estão aí, irrefutáveis. Não pode isso ser jogado para debaixo do tapete - afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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