Arthur Virgílio defende flexibilização de cotas raciais
Da Redação | 02/03/2010, 18h13
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que a política de cotas para alunos negros, como instituiu a Universidade de Brasília (UnB), ao reservar 20% das vagas para esses estudantes, se esquece de outras raças e outros tipos de miscigenação, como a de seu estado, feita basicamente entre índios e brancos. De acordo com o parlamentar, "os amazonenses preferem ser chamados de descendentes de índios".
O senador exemplificou com um dado cultural: enquanto Zumbi é o herói dos negros brasileiros, o herói dos amazonenses é o índio Ajuricaba, "grande estrategista militar, grande guerrilheiro de selva". O representante amazonense contou que Ajuricaba, preso pelos portugueses, se atirou, acorrentado, às águas do Rio Negro, num ato suicida "em nome da liberdade".
- Nós temos muito orgulho da miscigenação que nos faz a civilização que somos. Eu tenho no meu sangue a mistura que vai do negro ao holandês. Mas, culturalmente, nós somos o resultado da miscigenação de portugueses brancos com indígenas brasileiros. Essa é a restrição que faço ao projeto das cotas raciais - afirmou Arthur Virgílio, para quem as cotas sociais se aplicam melhor à redenção dos mais pobres.
Arthur Virgílio falou após comunicação de liderança feita pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), em que este critica um ofício assinado pelo ministro Edson Santos de Souza, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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