Simon defende fim do colonialismo e das prisões políticas

Da Redação | 01/03/2010, 17h05

"Os fantasmas do passado devem ser enfrentados com força e determinação: colonialismo e prisões políticas são etapas superadas que, com o empenho de cada um e a ajuda de todos, haveremos de superar". O comentário foi feito pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) ao registrar a decisão da Grã Bretanha de explorar reserva de petróleo na costa das Ilhas Malvinas e a morte, em Cuba, do dissidente Orlando Zapata Tamayo, após 85 dias de greve de fome na prisão.

O senador opinou que o Brasil não pode ignorar o fato de a recente descoberta de uma reserva avaliada em 18 bilhões de barris ter instaurado novo clima de tensão entre a Argentina e a Inglaterra. Ele lembrou que em 1982 ingleses e argentinos travaram uma guerra pela posse das ilhas Malvinas. O conflito foi vencido em apenas três meses pelos britânicos, com o apoio dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Pedro Simon destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Cúpula do Grupo do Rio, realizada no México, apoiou a Argentina e cobrou uma ação mais enérgica da Organização das Nações Unidas (ONU). Na avaliação do senador, o Brasil não pode ficar alheio ao que o fato representa: uma nação estrangeira situada a 13 mil quilômetros das Malvinas despachando plataformas de petróleo para explorar reserva de cerca 18 bilhões de barris. Segundo o jornal The Guardian, essa quantidade é semelhante aos recursos do pré-sal brasileiro.

- Sobre o nosso petróleo, não pairam dúvidas quanto à soberania do Brasil. Não podemos esquecer, contudo, que parte dele está próximo ao limite geográfico do território marítimo brasileiro, conforme a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Também não podemos relevar que os Estados Unidos, que recriaram recentemente sua IV Frota Naval para patrulhar a porção meridional do Oceano Atlântico, ainda não ratificaram seu apoio à Convenção da ONU que regulamenta a ordem marítima - alertou Pedro Simon.

Cuba

A respeito da morte do cubano Orlando Zapata, Pedro Simon observou que a visita de Lula a Cuba, que tinha como objetivo de servir como último abraço de Lula presidente em Fidel Castro, terminou dominada pela greve de fome do dissidente. O senador Simon lamentou que Cuba viva hoje o dilema do partido único, do jornal único e do poder único que contrariam todos os paradigmas de liberdade que inspiraram a revolução protagonizada por Fidel e seus aliados, em 1959.

- Lula era o homem errado, no lugar errado, fazendo e dizendo coisas erradas. Mudo estava e mudo ficou quando os jornalistas internacionais interpelaram o presidente cubano, Raúl Castro, sobre a tragédia de Zapata. Lula apareceu sorridente nas fotos dos jornais, ao lado dos irmãos Fidel e Raúl, em descompasso flagrante com o mundo, consternado, que preferia discutir as condições políticas do regime que levou Zapata ao fim por inanição - declarou Simon.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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