Suplicy lê carta em que defende Cesare Battisti perante deputado italiano Piero Fassino

Da Redação | 24/11/2009, 20h14

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) leu em Plenário trechos de carta endereçada por ele ao ex-ministro da Justiça e atual deputado pelo Partido Democrático da Itália, Piero Fassino, em defesa do asilo brasileiro a Cesare Battisti. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última quarta-feira (18) que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a palavra final sobre a extradição do italiano.

O senador redigiu a carta em resposta a entrevista concedida por Fassino ao jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (24), em que o deputado diz esperar coerência do presidente Lula. O deputado disse que Lula deveria seguir a decisão do STF pela extradição de Cesare Battisti.

Na carta, Suplicy afirma que Cesare Battisti "declara fortemente" ser inocente dos quatro assassinatos de que é acusado, e cujo único testemunho seria o daqueles que obtiveram na Justiça italiana o benefício da delação premiada. Ainda de acordo com Suplicy, não existem "testemunhas adultas vivas" que afirmem terem presenciado os assassinatos.

O senador leu também carta do presidente da organização não-governamental (ONG), Antígone, Patrizio Gornella, que menciona os riscos da extradição de Battisti, devido às más condições das prisões italianas, com superlotação de detentos, em prejuízo de sua dignidade. A carta informa que mais de 60 pessoas teriam cometido suicídio em 2009 nos presídios italianos.

Pela extradição

O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) discordou de Suplicy. Para ele, a Itália é um país democrático e não "fascista", e a Justiça italiana "tem tradição de respeito aos direitos humanos", além de funcionar normalmente.

- Creio que o presidente Lula reúne todas as condições para tomar a sua decisão e optar pela extradição - sugeriu Azeredo.

Para o presidente da CRE, em matéria de extradição, não se está julgando Battisti no Brasil, mas sim apenas decidindo que ele cumpra a pena pela qual foi condenado pela Justiça italiana naquele país.

Também o senador Magno Malta ((PR-ES) disse conhecer pessoalmente o sistema prisional italiano que, segundo ele, tem melhores condições de atender um prisioneiro como Battisti que o brasileiro. Ele disse ter visitado as instalações penitenciárias italianas por ocasião da CPI do Narcotráfico.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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