Azeredo descreve 'cenas de horror' vistas em viagem da CRE ao Haiti

Da Redação | 19/08/2009, 21h36

"Foram cenas de horror. Uma criança de apenas cinco anos explorada como escrava. Biscoitos feitos de barro, gordura e sal. Seres humanos servindo-se de esgoto para mitigar a sede. Ruas cheias de gente sem trabalho". Essas frases integram o relato que o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) fez da visita ao Haiti realizada por integrantes da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE, que preside), para verificar a atuação das tropas brasileiras naquele país.

Apesar de declarar ter ficado estarrecido com o que testemunhou, o senador por informou que a delegação brasileira não chegou a visitar as áreas mais perigosas de Cité Soleil ou de Bel Air, bairros mantidos sob controle da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

Eduardo Azeredo garantiu que o grau de miséria que os senadores constataram no Haiti seria capaz de emocionar e sensibilizar a alma mais dura. Por outro lado, ele disse ter encontrado "centelhas de esperança" na atuação do embaixador brasileiro Igor Kipman e de sua exposa, Roseana Kipman. O senador informou que o casal age em obras sociais nas piores áreas de Porto Príncipe.

Outro trabalho social destacado por Azeredo foi o desenvolvido por sua conterrânea, a mineira Eliana Nicolini, através de um projeto de coleta e reciclagem de lixo sólido. Além de separar plástico, metal e vidro para atender o mercado externo, fabrica combustível para fogão a lenha usando papelão e serragem. O projeto vende produtos recicláveis para o Brasil e a Ásia e colabora para reverter a devastação das florestas.

Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) classificou de impressionante o relato feito por Azeredo. Ele opinou que a situação vivida pelo Haiti reforça a importância de o governo brasileiro estar realizando não apenas ações de segurança, mas também projetos sociais como a perfuração de poços artesianos. Já o senador Flávio Arns (PT-PR) aplaudiu o trabalho do embaixador Kipman, que é paranaense, e destacou que ele foi presidente da União dos Escoteiros do Brasil e até hoje é escoteiro ativo.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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