Apesar da crise, comércio com União Europeia se mantém estável, diz representante do MDIC

Da Redação | 17/06/2009, 16h20

Mesmo com uma queda de 28% para 24% nas exportações brasileiras de 2008 para este ano, o comércio entre o Brasil e a União Europeia permanece estável, apesar da crise econômica internacional. A avaliação foi feita pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, durante exposição no XVI Brasil-Europa nesta quarta-feira (17).

- A União Europeia, como bloco unificado, representa mais de 50% das exportações brasileiras. Apesar da crise, continua a ser parceiro fundamental - afirmou.

Ressaltando que o Brasil é "incomparável a qualquer outro país do mundo em termos de produtividade agrícola", Barral salientou que, apesar dos subsídios aos produtos agrícolas europeus e da distorção dos preços praticados na concorrência internacional, o Brasil tem tido bom diálogo com a União Europeia.

Como resultado prático, disse, o país tem firmado acordos de cooperação específicos na área econômica, como a criação de pequenas e médias empresas e joint ventures no mercado europeu, além de cooperação com pequenas e médias empresas europeias.

Nessa mesma linha, Ivan Jancárek, embaixador da República Tcheca, país que atualmente presidência da União Europeia, enfatizouo fato de o Brasil ter duplicado a exportação de etanol para a Republica Tcheca de 2008 para 2009, acompanhando a tendência da EU de diversificar suas matrizes energéticas, devido a crise no fornecimento de gás natural enfrentada no ano passado.

Jancárek salientou ainda o empenho daquele país na EU em impedir tendências de protecionismo e proteger a ideia de comercio liberal para países na categoria de parceiros estratégicos como o Brasil, especialmente na área comercial.

Imigrantes ilegais

Eduardo Gradilone, membro da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior do Ministério das Relações Exteriores afirmou que um dos maiores desafios a serem enfrentados, em nível político, é dar uma solução para as questões relativas à imigração.

- Esses controles, posturas, políticas estão levando líderes em posições altas de governo a uma distorção e à associação da imigração com criminalidade e outras agendas negativas. Há uma distorção completa do fenômeno migratório, que acaba criando um sentimento xenófobo - lamentou, salientando a importância da participação dos canais diplomáticos nas negociações de vistos e estabelecer um diálogo político com os canais de comunicação migratória, como já vem ocorrendo com Portugal e Espanha.

Nesse ponto, Jancárek, da Presidência da EU, anunciou que estão adiantadas negociações para acordo de cooperação na próxima II Cúpula Brasil-UE, em Estocolmo, que prevê a liberação recíproca de vistos para fins turísticos e de negócios, para livre circulação de brasileiros em países da Europa e de europeus no Brasil. 

Grupo Parlamentar

Ao fazer a apresentação do Grupo Parlamentar Brasil-União Europeia, que iniciou suas atividades em abril de 2009, o deputado federal Sebastião Rocha (PDT-AP) sugeriu que o grupo se torne um espaço de discussão de temas multilaterais e de facilitação de encontro de autoridades dos dois blocos. O grupo, que tem vínculos com o setor produtivo brasileiro - a exemplo da Federação das Industrias de São Paulo (FIESP), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outras - pretende, segundo ele, intensificar laços de amizade, culturais, científicos e de pesquisas, bem como realizar palestras, seminários e encontros e promover a aproximação dos dois parlamentos e "fazer do MERCOSUL um parceiro estratégico da União Europeia".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: