Servidores que desejarem parar de fumar terão o auxílio de equipe médica do Senado

Da Redação | 17/02/2009, 11h50

As inscrições de pessoas que desejam parar de fumar no programa Grupo de Controle do Tabagismo, da Secretaria de Assistência Médica do Senado, superaram as expectativas: na última sexta-feira (13), um dia após a abertura do prazo para adesões, já havia número suficiente para a formação de dois grupos de 15 pessoas cada.

O trabalho será realizado com um grupo de cada vez. Seus integrantes participarão de cinco sessões às sextas-feiras, com início no dia 6 de março, das 9h às 11h30. O grupo será acompanhado por três meses, período durante o qual deverá fazer uso de medicamento. Essas informações foram prestadas pela pneumologista e coordenadora do programa no Senado, dra. Elizabeth Oliveira Rosa e Silva.

A médica informou que a iniciativa, inédita no âmbito do Senado, é uma parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Distrito Federal e segue as orientações de cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca),órgão voltado a ações nacionais integradas para o controle e a prevenção da doença.

- Na primeira sessão, faz-se a anamnese (avaliação) de cada um. É preciso saber se a pessoa tem alguma doença, utiliza algum medicamento, tem histórico de álcool associado ao cigarro. Durante as outras sessões, vamos trabalhar com testemunhos. Quais os meios que a pessoa utilizou para parar de fumar e as dificuldades encontradas - detalhou a pneumologista.

O grupo fará uso de medicação como auxiliar no processo de abandono do vício, de forma gradativa, por três meses. Trinta dias após iniciado o tratamento, será feita uma reavaliação de seus integrantes. A médica ressaltou, no entanto, que é importante fixar uma data simbólica - em geral, o sétimo dia após começar a tomar o remédio: nesse dia, a pessoa deve parar de fumar (não fumar mais nenhum cigarro) e a data deverá ser um marco em sua vida (se possível, associar a data com algum evento importante, como aniversário).

Segundo Elizabeth Rosa e Silva, há duas opções de tratamento. A primeira, a utilização de Champix (a droga é tartarato de vareniclina), que atua diretamente sobre o receptor de nicotina no cérebro, bloqueando sua atuação e a consequente produção de endorfinas pelas células, que causam a sensação de prazer e reforçam o vício. A outra opção é a associação da reposição de nicotina (adesivo) a um antidepressivo, o cloridrato de bupropiona.

Recaída

A importância do conhecimento sobre os mecanismos do vício pode evitar a recaída, segundo a médica:

- Se quatro anos depois [de parar de fumar]a pessoa acender um cigarro para alguém, seu cérebro ainda terá armazenada a mesma mensagem de prazer.

"Gordo eu não quero ficar, prefiro fumar" é a desculpa mais comum dos ex- fumantes para voltar ao vício, conforme lembra a pneumologista. O uso da nicotina, ensinou, acelera o metabolismo e sua interrupção o reduz, o que faz a pessoa engordar.

- Nossa receita é: faça atividade física. Troque a nicotina pelos exercícios. E não troque o cigarro por uma bala, chocolate ou biscoito - outro subterfúgio comumente utilizado, conforme explicou Elizabeth Rosa e Silva.

Entre as vantagens da interrupção do uso de tabaco, a médica destacou a melhora no rendimento físico, especialmente os benefícios ao músculo cardíaco, que passa a trabalhar melhor, e o incremento da atividade cerebral.

Doenças

Sobre a abordagem a respeito das doenças causadas pelo uso contínuo do cigarro, a pneumologista explicou que é preciso que ela seja cuidadosa.

- Queremos cativar a pessoa para largar o hábito. Nossa postura é receptiva - assinalou.

No rol das Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOCs), as enfermidades secundárias mais comuns causadas pelo cigarro são a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. Entre as graves, o câncer de pulmão, provocado, em 90% dos casos, pelo tabaco, cujo uso prolongado pode causar ainda câncer do colo do útero, no pâncreas e na bexiga. Outra doença grave relacionada ao tabagismo, segundo a médica, é o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

- As pessoas costumam pensar: isso acontece, mas não comigo. O que elas precisam entender é que as consequências do cigarro são totalmente evitáveis - enfatizou.

A idéia, segundo a médica, é a de que o grupo, pelo conhecimento, perceba a "economia" financeira e em saúde que fará ao evitar essas doenças.

Inscrições

O segundo grupo será formado após o término do primeiro. Para se inscrever, basta acessar o endereço eletrônico grupotabagismo@senado.gov.br e fornecer as seguintes informações: nome completo, data de nascimento, lotação, ramal, telefone residencial e celular.

Cristina Vidigal / Agência Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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