Mercadante diz que impediu criação urgente de 2.400 cargos no governo motivado pela crise mundial
Da Redação | 05/12/2008, 14h33
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) esclareceu, nesta sexta-feira (5), que foi motivado pela crise financeira internacional mundial que pediu, na última quarta-feira (3), a retirada da urgência constitucional com que seria votado o projeto de criação de 2.400 cargos de analista de desenvolvimento de políticas sociais no governo (PLC 130/08).
- Nós estamos enfrentando a maior crise econômica internacional desde 1929. Não podíamos votar a matéria sem levar isso em consideração - afirmou Mercadante à Agência Senado.
Além de criar essa nova carreira, o projeto abre 200 cargos de analista técnico e 50 cargos de agente executivo na Superintendência de Seguros Privados (Susep); e ainda transforma 50 cargos vagos de técnico em regulação e vigilância sanitária em técnico-administrativo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De iniciativa do presidente da República, a proposição já havia sido aprovada na Câmara dos Deputados e estava sendo encaminhada para ser votada em regime de urgência pelo próprio líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).
- Os Estados Unidos estão com a maior taxa de desemprego da história nos últimos 14 anos, de 6,5%. Estamos com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE, que é de 7,4%.Essa crise está chegando tardiamente ao Brasil. O país vai ser impactado pela crise, ainda que de forma amenizada. Já estamos vendo uma forte desaceleração na economia. E o Congresso brasileiro tem que entender esse processo e contribuir para o Brasil responder a essa crise com mais eficiência, amenizar o impacto dessa turbulência e preparar a Nação para sair mais cedo dela - afirmou.
Na opinião de Mercadante, face ao que o mundo assiste, os senadores não podem ampliar facilmente os gastos correntes do Estado, como aconteceu com a votação de várias medidas provisórias que fixavam reajustes para o funcionalismo e que foram negociadas antes do agravamento da situação. No seu entender, o sensato seria renegociar essas mudanças com os sindicatos para fazer-se os ajustes em função da crise.
- A oposição e uma parte da base do governo o que fez foi ampliar os gastos, o que vai totalmente contra o que devíamos estar fazendo. Devíamos priorizar os investimentos e adotar políticas para proteger os mais frágeis. Foi em função disso que eu pedi que se retirasse a urgência do projeto, para negociar com o governo uma redução dessa despesa, para que priorizemos o investimento em infra-estrutura e logística, que é o que vai ajudar a manter a produção e o emprego neste país, e não aumentar despesas com servidores.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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