Senadores ressaltam importância de experiência como vereadores

Da Redação | 03/10/2008, 19h25

João Durval (PDT-BA) elegeu-se vereador em Feira de Santana sucessivamente em 1954 e 58, dando início a uma trajetória política de seis décadas, que inclui a governadoria do estado e a cadeira de senador baiano. O então jovem cirurgião-dentista diz ter extraído, daquela época, as lições de seriedade e compromisso com a comunidade que levou por toda a vida pública.

- A função de vereador não era remunerada e nós todos trabalhávamos de dia e nos reuníamos à noite, no salão da Câmara Municipal, para discutir os problemas de Feira de Santana. Gostava imensamente daquele contato intenso e íntimo com a comunidade, de servir de ligação do meu bairro com a prefeitura e o poder público - recorda-se João Durval.

Aos atuais candidatos de seu partido, ele aconselha uma campanha simples, de visitas de porta em porta, concentrando-se nos bairros, ouvindo sempre as pessoas.

- É preciso que o vereador esteja sempre conversando com o povo, manter-se sempre próximo dele - conclui.

Vereador durante dez anos consecutivos (1974-1983), o catarinense Neuto de Conto (PMDB-SC) também destaca como essencial na função o vínculo com a sociedade e a capacidade do político de representar, com seu trabalho, os anseios da sua comunidade.

- Somos um país de pequenos municípios: 95% deles têm no máximo nove vereadores. Então eles precisam trabalhar integrados e pensando em propostas que possam adaptar a legislação municipal ao momento que vive a cidade. Mas nunca devem prescindir do convívio com a comunidade e de atuar como um porta-voz desses anseios junto aos prefeitos - acredita Neuto de Conto.

"A mais marcante experiência da vida pública"

O senador Casildo Maldaner (PMDB-SC) também guarda com especial carinho as lembranças de quando iniciou a carreira política, aos 20 anos, como vereador da pequena cidade de Modelo, no interior de Santa Catarina.

- Fiz a campanha a cavalo. E, depois de eleito, também era a cavalo que percorria os seis quilômetros que separavam minha comunidade da sede do município, onde funcionava a Câmara de Vereadores. No meu tempo, a gente nem recebia salário, só jeton por reunião - lembra.

Para o senador, foi a mais marcante experiência política de sua vida.

- É um grande aprendizado para depois seguir na vida pública. Exerci todas as funções legislativas no país. A de vereador me deu a sustentação - conta ele.

A importância do vereador, segundo Casildo Maldaner, reside justamente no fato de ele ser a ligação entre a pequena comunidade que representa e o poder municipal.

Os três mandatos consecutivos na Câmara de Abaetetuba (PA), entre 1997 e 2008, são motivo de orgulho para o hoje senador José Nery (PSOL-PA). Ele acha que a função é importante na formação de uma liderança política porque dá ao homem público a possibilidade de estar diretamente vinculado aos problemas concretos por que passam as suas comunidades e, dessa convivência, podem surgir os compromissos para a atuação parlamentar.

Nery falou ao Jornal do Senado enquanto visitava, na semana passada, o município de Igarapé-Açú, no nordeste do Pará. Lá, conheceu a comunidade de Boa Esperança. Foram 20 quilômetros por uma estrada em péssimas condições para constatar que só a solidariedade de uma família pobre permitiu que 30 crianças continuassem a freqüentar a escola.

- É uma casa de barro sem iluminação ou banheiro, mas a família cedeu de bom coração o pequeno espaço para crianças aprenderem. Um único professor numa casinha de barro é um retrato de quanto a educação básica é maltratada neste país. São questões como essa que os vereadores têm de cuidar, cobrar do prefeito a construção da escola - conclui o senador.

Sylvio Guedes / Jornal do Senado

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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