Países da América Latina devem buscar a democracia de forma intransigente, diz Heráclito
Da Redação | 05/09/2008, 18h20
A busca intransigente pela manutenção da democracia é um dos objetivos da diplomacia parlamentar, política adotada pelos senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), afirmou o presidente da comissão, senador Heráclito Fortes, nesta sexta-feira (5), em visita ao presidente do Senado da República Dominicana, Reinaldo Pared Pérez. A diplomacia parlamentar, explicou Heráclito, é uma forma de promover a aproximação entre os povos de maneira mais aberta do que a adotada pela diplomacia tradicional.
Heráclito Fortes destacou que um dos pontos mais importantes do Mercosul é a promoção da democracia na região, uma vez que apenas países que respeitem o modelo democrático podem fazer parte bloco. Na opinião do senador, o mesmo pode ser dito da Comunidade do Caribe (Caricom) - bloco econômico dos países da região, do qual a República Dominicana faz parte.
- O Mercosul é uma salvaguarda democrática para todo o continente. A Comunidade do Caribe persegue os mesmos objetivos - disse Heráclito.
Quatro parlamentares da CRE encontram-se na República Dominicana como parte de uma visita diplomática a cinco países do Caribe. Os senadores já visitaram a Guiana, o Panamá e a Jamaica e encerrarão o trajeto no Haiti, onde o Brasil lidera missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na chegada à Assembléia Nacional da República Dominicana para a visita a Pérez, os senadores e o embaixador brasileiro no país, Ronaldo Dunlop, foram cercados pela imprensa local, que questionou se a delegação teria vindo tratar da compra de oito aeronaves Super-Tucano para a Força Aérea Dominicana. A compra das aeronaves encontra-se em exame pelos parlamentares dominicanos e deve ser decidida nas próximas duas semanas.
Em entrevista coletiva à imprensa dominicana, o senador Heráclito Fortes afirmou que os senadores brasileiros não vieram tratar da compra dos aviões da Embraer e que respeitam a soberania do Senado da República Dominicana no que tange à decisão de fechar ou não o negócio.
- O Brasil tem um produto de qualidade e que foi colocado à venda. Cabe à República Dominicana definir o que fazer, dependendo das condições e necessidades do país - disse Heráclito.
O presidente do Senado dominicano, Reinaldo Pared Pérez, elogiou o auxílio que o Brasil vem prestando ao Haiti e pediu que a comunidade internacional continue ajudando o país, que está, segundo o parlamentar dominicano, "destruído, inviável e em miséria generalizada".
- Sem auxílio internacional, o Haiti é um problema que explodirá - afirmou Pérez.
Também participaram do encontro os senadores dominicanos Jesus Vásquez e Prim Pujal.
A comissão de senadores brasileiros - que conta, além de Heráclito Fortes, com os senadores Marco Antônio Costa (DEM-TO), Virgínio de Carvalho (PSC-SE) e Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC), além do embaixador José Marcus Vinícius Sousa, que representa o Poder Executivo na delegação - encontrou-se nesta sexta-feira também com o presidente da República Dominicana, Leonel Fernández Reyna.
Na reunião, que foi fechada à imprensa, o presidente Reyna destacou que as relações entre o Brasil e a República Dominicana vêm passando por um "impressionante" incremento e destacou que muitos projetos de infra-estrutura dominicanos estão sendo tocados com auxílio de empresas brasileiras, como a construção de sete novas hidrelétricas.
- É importante destacar que a atitude do Brasil para com a República Dominicana é de generosa cooperação. Num período de dez anos, veremos com que força se intensificou a presença brasileira aqui - disse.
Reyna também lembrou o importante intercâmbio cultural entre os dois países, como o que está permitindo que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ofereça cursos de gestão pública na República Dominicana. O presidente também sublinhou a importância da presença de tropas brasileiras no Haiti.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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