Paim: condições de trabalho dos caminhoneiros levam a acidentes nas estradas e ao consumo de anfetaminas

Da Redação | 26/06/2008, 13h38

O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu nesta quinta-feira (26) a adoção de medidas para a melhoria das condições de trabalho dos caminhoneiros. Ele afirmou que uma das preocupações da categoria é a elevada carga horária de trabalho, que teria reflexos na segurança e na saúde dos motoristas - tanto devido aos acidentes nas estradas como ao consumo do "rebite", anfetamina que vários caminhoneiros utilizam para se manterem acordados.

O senador fez essas declarações ao abrir a audiência pública destinada a discutir o assunto, promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) - da qual ele é o presidente.

Segundo Paim, uma pesquisa do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), realizada em 2006, indicou que são registrados a cada ano 200 mil acidentes e 34 mil mortes nas estradas brasileiras. O levantamento estima que os prejuízos com a perda de carga devido a acidentes somam anualmente R$ 2 bilhões - o que representaria, de acordo com o senador, quase três vezes as despesas provocadas por roubos nas estradas.

Jornada de trabalho

Outra pesquisa mencionada por Paim foi a executada em 2007 pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. O senador observou que esse estudo aponta a jornada excessiva de trabalho dos caminhoneiros como um dos motivos do aumento dos acidentes no trânsito rodoviário. A pesquisa cita ainda o uso de anfetaminas (como o rebite) como uma das causas dos acidentes. Nesse contexto, Paim lembrou que o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso concedeu, em janeiro, uma liminar que reduz a carga horária desses motoristas para que eles cumpram uma jornada de oito horas diárias (e 44 horas semanais).

Ao destacar uma série de reportagens sobre o tema publicadas pelo jornal Zero Hora, o senador disse que "ficou constatado que o uso de drogas estimulantes é desenfreado". Ele leu um trecho de uma dessas matérias, na qual se avalia que "o rebite é uma epidemia no Brasil e as autoridades o apontam como um dos responsáveis pelo envolvimento do transporte de cargas em um de cada três acidentes que acontecem nas estradas federais".

- A maioria das mortes é registrada no fim da viagem. Também é nessa hora que o efeito do remédio termina - ressaltou o senador.

Paim citou ainda estimativas segundo as quais o governo federal gasta, a cada ano, cerca de R$ 25 bilhões com o tratamento das vítimas de acidentes que envolvem o transporte de cargas nas estradas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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