Polícia Federal pode conduzir investigados por abuso sexual em Niquelândia à CPI da Pedofilia, afirma Magno Malta
Da Redação | 28/05/2008, 13h13
Quatro dos cinco investigados por abuso sexual contra duas adolescentes em Niquelândia (GO), convocados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, não compareceram para prestar depoimento nesta quarta-feira (28) e serão notificados sobre nova convocação. Conforme informou o senador Magno Malta (PR-ES), presidente do colegiado, "eles podem ser trazidos pela Polícia Federal" caso não se apresentem em data a ser marcada pela CPI. Apenas o vereador Neira Matos Ribeiro de Araújo compareceu ao depoimento, mas, como investigado em processo que corre sobre o caso, utilizou o direito legal de permanecer calado e recusou-se a responder às perguntas dos senadores.
Neira Matos e os outros quatro convocados - os ex-secretários municipais Rusley Olegário Dias e Gláucio Almeida Soares, o ex-chefe de gabinete da prefeitura José Geraldo Pedroni e Anderson Rocha, motorista da prefeitura de Niquelândia -, foram condenados em primeira instância por abuso sexual contra menores e apresentaram recurso da decisão. O prefeito do município, Ronan Rosa Batista, também denunciado no processo, foi julgado em segunda instância, por ter foro privilegiado, e teve seu processo arquivado. Para Magno Malta, este é um caso emblemático, que evidencia brechas na legislação e tratamento privilegiado.
Ao concordar com o colega, o relator do colegiado, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), destacou a importância do trabalho da CPI para dar maior visibilidade a esse tipo de situação e para propor mudanças na lei, assegurando a punição de todos os envolvidos. Na reunião realizada nesta quarta-feira, Demóstenes, mesmo reconhecendo o direito do depoente de permanecer calado, questionou Neira Matos a partir de informações dadas pelo vereador em depoimentos prestados à Justiça em Niquelândia. Por orientação de seu advogado, Neira Matos negou-se a responder aos questionamentos e, nas poucas vezes em que se manifestou, negou as acusações de abuso sexual contra as adolescentes e se disse vítima de perseguição política.
Ação complementar
Em entrevista à Agência Senado, Magno Malta explicou que a tomada dos depoimentos de investigados no caso de Niquelândia busca complementar as investigações em curso no município. O parlamentar lembrou que informações relevantes foram colhidas nos depoimentos das adolescentes, realizados em Niquelândia, e do prefeito da cidade, que compareceu no início de maio ao Senado. A participação da CPI no caso, explicou Magno Malta, atende a pedido do Ministério Público e da Justiça local e visa ampliar as informações contidas nos processos, de forma a assegurar que todos os envolvidos sejam punidos.
- Os bagres foram condenados e a figura principal foi absolvida. Estamos levantando informações para mudar isso - observou o senador, referindo-se à condenação de ex-servidores da prefeitura, em primeira instância, e ao arquivamento do processo contra o prefeito da cidade.
O trabalho da CPI, ressaltou o senador pelo Espírito Santo, tem ajudado a corrigir injustiças e "a mostrar que ainda há gente que acoberta abuso contra crianças". Em outras duas diligências realizadas por Magno Malta, às cidades mineiras de Uberaba e Uberlândia, a tomada dos depoimentos contribuiu para ampliar as investigações realizadas pela Justiça e forneceu novas informações sobre os casos. Em Uberaba (MG), o senador identificou material pedófilo produzido por Levi Cançado entre os álbuns fechados do Orkut, o site de relacionamentos do Google cujos sigilos foram quebrados por força da CPI. Cançado cumpre prisão preventiva por acusação de abuso sexual e aliciamento de menores e poderá ter sua pena agravada pelo uso da rede para prática de pedofilia.
- Também nesse caso, a CPI foi chamada a ajudar, por seu poder de polícia e de justiça, para dar maior celeridade ao processo. É um caso em andamento e outras pessoas estão sendo investigadas - explicou o presidente da comissão.
Durante a tomada de depoimento em Uberlândia, destacou Magno Malta, o professor universitário Carlos Eduardo Martins Ivancko, preso sob acusação de estupro e pedofilia, assumiu pela primeira vez o crime e reconheceu ser pedófilo.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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