Assis Chateaubriand será homenageado pelo Senado

Da Redação | 15/04/2008, 12h15

O jornalista Assis Chateaubriand será homenageado pelo Senado nesta quinta-feira (17), na hora do expediente da sessão plenária, às 14h, pelo transcurso dos 40 anos de seu falecimento. O requerimento solicitando a homenagem é do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho.

Para Garibaldi, Chateaubriand foi "idealista de um programa de elevação do nível cívico e cultural do povo brasileiro e legou às gerações os melhores exemplos de civismo e dedicação à pátria e ao seu povo". O jornalista, na opinião do senador, provocou o debate das grandes questões nacionais e incentivou o desenvolvimento das ciências, das artes e das letras.

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu em Umbuzeiro (PB), em 5 de outubro de 1892. Estudou em Pernambuco, onde cursou Direito e tornou-se, posteriormente, professor de Filosofia do Direito, após conquistar o 1º lugar em concurso seletivo. Ainda em Recife, iniciou sua carreira jornalística, escrevendo para o Jornal Pequeno e o Diário de Pernambuco, onde chegou a redator-chefe.

Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, colaborou com o Correio da Manhã, e, em 1924, assumiu a direção de O Jornal, embrião dos Diários Associados, um conglomerado de empresas de comunicação que chegou a quase uma centena e foi a maior cadeia de imprensa do país, incluindo jornais, estações de rádio e de TV, a revista semanal O Cruzeiro e a mensal A Cigarra, além de várias revistas infantis e uma editora. Foi pioneiro na transmissão da TVbrasileira, com a criação da TV Tupi, em 1950.

O jornalista também se engajou no movimento político, tomou a frente do partido da Aliança Liberal na campanha que teve por desfecho a vitória da revolução de outubro de 1930, que o levaria ao exílio. Promoveu ainda, em 1941, a Campanha Nacional de Aviação, com o slogan "Dêem asas ao Brasil", e fundou mais de 400 centros de puericultura. Como incentivador da cultura, criou o Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Em 1957, Chateaubriand foi eleito senador pela Paraíba e, posteriormente, pelo Maranhão, mas renunciou a esse mandato para assumir o posto de embaixador do Brasil no Reino Unido. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, Chateaubriand ocupou a cadeira deixada por Getúlio Vargas.

O "velho capitão" ou "Chatô", como era conhecido, foi um homem polêmico, amado e também temido, segundo os historiadores, que protagonizou episódios contrariando interesses políticos e empresariais. Um de seus desafetos foi o industrial Francisco Matarazzo, que ameaçou devolver ofensas recebidas pela imprensa comandada por "Chatô" "à moda napolitana: pé no peito e navalha na garganta". Chateaubriand devolveu: "Responderei com métodos paraibanos, usando a peixeira para cortar mais embaixo". Foi também inimigo declarado de Rui Barbosa e de Rubem Braga.

Apesar desses episódios, Chatô teve relações cordiais com muitos empresários brasileiros e estrangeiros, além de políticos influentes, entre os quais Getúlio Vargas. Publicou mais de 11.870 artigos assinados em seus jornais, dando oportunidades a escritores e artistas desconhecidos que se transformaram em grandes nomes da literatura, do jornalismo e da pintura, entre eles Graça Aranha, Millôr Fernandes, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari.

Em 1960, sofreu uma trombose que o deixou tetraplégico, mas teve a consciência preservada. Apesar da doença, continuou a escrever seu artigo diário graças a uma máquina de datilografia adaptada. Faleceu em 4 de abril de 1968, em São Paulo, e deixou os Diários Associados para um grupo de 22 funcionários, atualmente liderados por Paulo Cabral de Araújo. Garibaldi citou uma frase de Chatô que, segundo o senador, registra seu entusiasmo pela vida e sua tenacidade pelo trabalho: "Quero morrer em pleno ato de viver". 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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