Garibaldi chama líderes a assumir responsabilidade pela recuperação do Legislativo

Da Redação | 12/03/2008, 18h50

Durante a sessão do Congresso Nacional para votação do Orçamento da União para 2008, nesta quarta-feira (12), o presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), conclamou os líderes da oposição e do governo a assumirem suas responsabilidades e deixarem de lado "questões menores" em nome da recuperação da credibilidade do Legislativo.

Na avaliação de Garibaldi, o embate travado na sessão do Senado desta terça-feira (11) - que chegou a ser interrompida duas vezes e culminou na aprovação, sem a presença da oposição, da medida provisória que criou a TV Brasil (MP 398/07) - foi "deplorável e constrangedor". No entanto, ele ressaltou que não cabe apenas ao presidente garantir a ordem dos trabalhos.

- Atire a primeira pedra quem se julgar totalmente isento. Todos nós pecamos. Não é só o presidente que conduz a sessão, mas também o Plenário, os líderes, os que têm mais responsabilidade - comentou.

Garibaldi respondeu a uma dura intervenção do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), que, em protesto pela forma "desrespeitosa" com que considerou que o governo teria encaminhado a votação da TV Brasil, afirmou que, daqui em diante, não participaria de nenhuma reunião de lideranças no gabinete da Presidência do Senado.

- Não queremos mais interlocução com Romero Jucá (PMDB-RR) - disse Arthur Virgílio, em protesto contra a decisão do líder do governo no Senado de apresentar parecer pela rejeição de uma medida provisória para acelerar a votação da MP da TV Brasil.

Garibaldi se referiu a Arthur Virgílio como um "bravo" e o convocou a se juntar, dentro ou fora de seu gabinete, em sua luta pela "afirmação do Parlamento perante a sociedade".

- Vamos votar as MPs que atravancam a pauta da Câmara e do Senado. Vamos votar os vetos encalhados. E, já que estamos votando o orçamento, vamos votar a reformulação do sistema orçamentário - declarou.

Em resposta, Arthur Virgílio disse a Garibaldi que, se o presidente pretendia de fato valorizar o Legislativo, deveria, desde já, assumir o "compromisso público de não tolerar garrote ou mordaça", de "dar voz e vez a todos os senadores" e de promover a divisão das relatorias de forma equânime entre as bancadas. As três medidas provisórias votadas nesta terça-feira (11) foram relatadas por senadores governistas, o que irritou a oposição.

- Diga que nunca mais vai haver garrote no Senado. O que importa é termos o Congresso de pé, e não agachado. É preciso cumprir as palavras bonitas na prática - argumentou o líder tucano.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: