Senadores responsabilizam Renan Calheiros por desgaste da instituição junto à opinião pública
Da Redação | 04/12/2007, 22h34
Apesar de ter sido absolvido por um placar de 48 votos contrários e 29 votos favoráveis à sua cassação, além de três abstenções, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ouviu, durante seu julgamento em Plenário na tarde desta terça-feira (4), duras críticas vindas de colegas que se posicionaram favoravelmente ao parecer apresentado pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM) ao Conselho de Ética. Péres recomendou a perda do mandato de Renan Calheiros, que, em sua avaliação, teria quebrado o decoro parlamentar ao utilizar terceiros para adquirir veículos de comunicação em Alagoas.
Para esses senadores, o "episódio Renan" levou o Senado à maior crise institucional de sua história e provocou o desgaste de toda a classe política. Ao fazer a defesa do parecer do relator, o senador Gerson Camata (PMDB-ES), por exemplo, frisou que o que estava em julgamento em Plenário não era o mandato do senador de Renan Calheiros (PMDB-AL), mas sim a integridade do Senado.
- Podemos sair daqui com um Senado recuperado dos desgastes sofridos recentemente ou com um Senado ainda mais enterrado - salientou ele.
Na mesma linha, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apelou à responsabilidade com a instituição.
- A recusa do parecer do senador Jefferson Péres fará, a meu ver, o Senado menor - afirmou ele.
Em referência à sessão de votação da primeira representação contra Renan, na qual o senador por Alagoas também foi absolvido pelo Plenário, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse desejar que a Casa não "repetisse o mesmo erro cometido em setembro", quando absolveu Renan da denúncia de que ter contas pessoais pagas por um funcionário da empreiteira Mendes Júnior.
- Hoje é a nossa prova de segunda época - completou o líder dos Democratas, José Agripino (RN), para quem, muito mais que o PMDB ou o próprio Senado Federal, esteve em jogo, na tarde desta terça-feira, a democracia brasileira.
- Se o Plenário votar de maneira diferente daquela do Conselho de Ética, o Congresso será nivelado por baixo e uma perna da democracia será quebrada - previu ele.
Marconi Perillo (PSDB-GO) alertou para o fato de que denúncias como essa contra o senador Renan Calheiros têm o potencial de gerar efeitos dramáticos que podem macular o Senado e os senadores. Ele disse que o maior desafio de um político é manter a coerência nas questões do Congresso Nacional, da democracia, da República e da representatividade política.
- Não temos ouvido o que a sociedade vem nos dizendo. A pesquisa indica que a sociedade está dando um recado no sentido de que não está gostando da forma como estamos atuando. Oxalá tenhamos tranqüilidade para ouvir o que diz a sociedade - afirmou Marisa Serrano, para quem o resultado da votação desta terça poderia alterar a avaliação da população acerca do Senado, de uma forma ou de outra.
O senador Marco Maciel (DEM-PE) também apelou à responsabilidade do Senado para com a sociedade e o país ao recomendar ao Plenário que aprovasse o relatório do senador Jefferson Péres. Na mesma direção foi Raimundo Colombo (DEM-SC), que lembrou o desgaste da classe política brasileira junto à opinião pública.
- Essa instituição vem sangrando publicamente debaixo da luz já há alguns meses - completou Magno Malta (PR-ES).
Para o senador Renato Casagrande (PSB-ES), a renúncia do senador Renan Calheiros ao cargo de presidente do Senado foi uma decisão acertada e motiva a discussão sobre sua sucessão. Casagrande elogiou a realização de sessão aberta para julgar processo que determina a perda de mandato de Renan, ao contrário do julgamento anterior, e defendeu também o voto aberto.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também questionou o voto secreto nesse tipo de processo e a proibição de os senadores revelarem como votaram. Ele lembrou que é uma prática antiga dos senadores essa revelação, bem como a recomendação dos votos, e alertou para a responsabilidade dos parlamentares em relação aos seus eleitores, a quem terão que responder.
Marcelo Crivella (PRB-RJ) observou que votar com o parecer de Jefferson Péres significava, para ele, "o frio, duro, pesado e pesaroso cumprimento do dever". Demóstenes Torres (DEM-GO), por sua vez, disse que estava convicto de que todo brasileiro sabia que Renan Calheiros era culpado.
- Ele faltou com respeito à Casa, ele quebrou o decoro parlamentar. Se Renan não serve para ser presidente da Casa, não serve também para ser um senador da República - afirmou.
Já o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou que, apesar de considerar cassação de um senador um "fato doloroso", nesse segundo julgamento do senador Renan Calheiros, as provas documentais e testemunhais sustentariam as acusações feitas.
Para José Nery (PSOL-PA), não apenas as graves denúncias já apuradas em dois processos, mas também os outros processos contra o senador Renan que ainda estão no Conselho de Ética, indicam que o ex-presidente da Casa quebrou a ética e faltou com o decoro.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: