Kátia Abreu diz que fez um relatório técnico, e não político

Da Redação | 14/11/2007, 12h45

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) disse em Plenário, nesta quarta-feira (14), que faria de novo "com a mesma dedicação e carinho" o relatório e o voto contrários à proposta de emenda à Constituição (PEC 89/07) que prorroga, até 2011, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a Desvinculação das Receitas da União (DRU). A parlamentar afirmou ter optado por fazer um relatório técnico, e não político, "para dar certeza que estava fazendo algo responsável, (e demonstrar) que era possível o governo viver sem os R$ 40 bilhões da CPMF".

O relatório da senadora foi rejeitado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) na noite desta terça-feira (13), mas ela disse que isso já é passado, para o qual só se deve olhar, segundo a senadora, quando se quer corrigir erros no futuro. Comparou a carga tributária brasileira - em torno de 36% - com a dos países vizinhos, cuja média está entre 24% a 25%, e com a dos que competem diretamente com o Brasil no mercado internacional, como Rússia, China e Índia, cuja média está entre 26% a 27%.

- Estamos com dez por cento a mais, é muito dinheiro tirado do povo, a sociedade não suporta mais - afirmou.

A parlamentar criticou o governo por gastar mais do que arrecada. Informou que, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todas as riquezas produzidas no país -, cresceu 20% nos últimos seis anos, os gastos públicos subiram 62% no mesmo período. Condenou ainda o número de cargos em confiança e também de ministérios e empresas estatais.

Kátia Abreu agradeceu o apoio que recebeu de senadores de todos os partidos na votação de seu relatório. Citou nominalmente o presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), que, de acordo com a senadora, conduziu o processo de votação "com toda a competência, rigor, dignidade e altivez que lhe são peculiares"; o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia; o líder da agremiação no Senado, senador José Agripino (RN); e o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). Também fez um agradecimento à imprensa por informar com exatidão e precisão.

A senadora ainda agradeceu o comentário da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), feito durante a votação de seu relatório na CCJ. Para a representante de Goiás, a atuação de Kátia Abreu na questão da CMPF mostrou que o trabalho da mulher na política brasileira pode ir muito além do que os temas que normalmente lhe são propostos, ligados à saúde, à educação e à atuação social.

- São questões importantíssimas, pontos cruciais na sociedade brasileira, mas somos capazes de muito mais que isso, de discutir reforma tributária, segurança pública e muitos outros problemas - afirmou Kátia Abreu.

Em aparte, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse que só não votou a favor do relatório da senadora, que disse ser "muito bem embasado tecnicamente", por ter sido retirado da comissão na hora da votação, mas afirmou que apoiará o trabalho de Kátia Abreu em Plenário. Da presidência da sessão, o senador Romeu Tuma (PTB-SP) cumprimentou a parlamentar "pela dignidade com que conduziu seu relatório". Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) acha que outras pessoas precisavam ser ouvidas, para "um debate mais esclarecedor". O senador Sibá Machado (PT-AC) elogiou a dedicação de Kátia Abreu na elaboração de seu relatório. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) também parabenizou a senadora.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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