Jefferson Péres afirma que existem indícios de quebra de decoro parlamentar por parte de Renan

Da Redação | 13/11/2007, 14h09

"Indícios existem. Resta saber a gravidade desses indícios. Se são procedentes ou não. Amanhã entrego o meu relatório conclusivo e todos saberão se houve ou não quebra de decoro". As afirmações foram feitas nesta terça-feira (13) pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM), logo após reunião reservada para ouvir o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, a respeito de denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria comprado e administrado, em parceria com o usineiro João Lyra, mas por meio de laranjas, duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas, pertencentes ao Grupo O Jornal.

Jefferson Péres, que é o relator no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do processo que apura tal denúncia contra Renan, também colheu os depoimentos dos empresários Sérgio Luiz Ferreira e Nazário Pimentel, respectivamente ex-diretor e ex-dono de O Jornal. Após a reunião, realizada no gabinete do presidente do Conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), o relator afirmou que seu trabalho já está praticamente pronto.

- O único dos depoimentos que reforçou e esclareceu alguns pontos foi o do Nazário. Os dos demais nada acrescentaram. Terei condições de fazer a leitura do meu relatório amanhã (quarta-feira), pois só falta a conclusão - afirmou o relator em entrevista à imprensa.

Depoimentos

Ao fazer um resumo dos depoimentos colhidos nesta terça, Jefferson Péres explicou que Nazário confirmou apenas que Renan intermediou a venda do periódico, mas "em nenhum momento apontou Renan como sócio do jornal". Já Sérgio Luiz, segundo o relator, limitou-se a desqualificar um outro depoimento dado no dia 31 de outubro pelo ex-contador do Grupo O Jornal, José Amilton Barbosa dos Santos, por meio do qual este afirmou, mesmo sem apresentar provas, que Renan era mesmo dono da empresa. Já em relação ao governador de Alagoas, o relator afirmou que Teotonio Vilela depôs como amigo e aliado de Renan.

O advogado de Renan, José Fragoso, que esteve presente à reunião, afirmou que as informações prestadas pelos três depoentes "em nada comprovaram a sociedade oculta das empresas de comunicação".

Em relação à afirmação feita por Nazário Pimentel de que Renan teria intermediado a venda do Grupo O Jornal, Fragoso respondeu à imprensa que "fazer intermediação na venda não é nenhuma quebra de decoro parlamentar". Lembrou, ainda, que na época Renan era ministro da Justiça e, portanto, estava licenciado do cargo de parlamentar.

Fragoso disse também à imprensa que João Lyra, que confirmou a existência de sociedade secreta com Renan, mentiu "movido pelo ódio" contra Renan, conseqüência da campanha eleitoral de 2006, em que, lembrou ainda o advogado, Lyra "foi massacrado", e Renan apoiou Teotonio.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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