Alvaro Dias protocola requerimento de CPI mista para investigar crimes financeiros no futebol

Da Redação | 30/10/2007, 20h14

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) protocolaram na Mesa do Congresso, nesta terça-feira (30), requerimento de criação de comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar operações financeiras suspeitas envolvendo clubes de futebol, seus jogadores e empresários.

O foco inicial da CPMI é a suspeita de que jogadores do Sport Club Corinthians Paulista teriam recebido seus salários em contas no exterior para evitar o pagamento de impostos, cometendo crimes de evasão de divisas e sonegação fiscal, por meio do contrato entre o clube e a empresa MSI (Media Sports Investment). A comissão já está sendo chamada pela mídia de "CPI do Corinthians".

- A CPMI pretende investigar clubes, empresários e jogadores para verificar a ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, sonegação de impostos e crimes contra a ordem tributária - explicou o senador Alvaro Dias.

O requerimento conta com a assinatura de 38 dos 81 senadores e 209 dos 513 deputados. Para a abertura de uma investigação, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. Para a instalação definitiva da comissão, o requerimento precisa ser lido em sessão conjunta do Congresso, que de acordo com o regimento, é convocada pelo presidente do Senado. Com a licença do senador Renan Calheiros, esta prerrogativa passa a ser do 1º vice-presidente da Câmara, deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG).

Alvaro Dias lembrou que centenas de jogadores foram negociados com clubes no exterior nos últimos anos:

- Há que se conferir no Banco Central o registro destas operações, se foram legais ou não - disse.

O senador também disse estranhar a suposta movimentação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para convencer parlamentares a retirarem a assinatura do documento. Representantes da CBF argumentam que a investigação seria prejudicial à imagem do país, que sediará a Copa de 2014.

- Se há algo a esconder, isso fortalece o trabalho da CPI - avaliou Dias.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)