Relatório de Demóstenes pede indiciamento de 23 pessoas e quebra de sigilo de empreiteiras

Da Redação | 24/10/2007, 18h32

Em seu relatório final, apresentado nesta quarta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) solicita o indiciamento de 23 pessoas: 21 ligadas à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e duas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O relatório não foi votado porque o senador João Pedro (PT-AM) pediu vista.

O relator recomenda o indiciamento do deputado federal Carlos Wilson (PT-PE), que presidiu a estatal de 2003 a 2005; dos ex-servidores da Infraero Tércio Ivan de Barros, Eleuza Terezinha, Adenauher Figueira Nunes, José Welington Moura, Marco Antônio Marques e Márcia Gonçalves Chaves; dos empresários Ettore Ferdinando Casória e Michel Farah, donos da FS3 Comunicação e Sistemas Ltda; e dos ex-servidores da Anac, Denise Abreu e Paulo Roberto Gomes de Araújo.

Além disso, Demóstenes pede ao Ministério Público e à Policia Federal o aprofundamento de investigações sobre mais seis suspeitos de praticarem desvios de verbas públicas na Infraero, entre os quais o presidente da Abima, José de Oliveira Sobrinho, e o ex-deputado Airton Soares.

Demóstenes solicitou também aos mesmos órgãos a quebra dos sigilos bancários de várias empreiteiras visando o rastreamento de recursos repassados pela Infraero. Na avaliação de Demóstenes, os empreiteiros estão entre os maiores responsáveis pela corrupção e desmando ocorridos na estatal.

- Os empreiteiros que contratam com a Infraero, sem exceção, tratam milhões de reais como se fossem apenas algumas moedas. Devem, portanto, ser investigados pelo Ministério Público e pela Polícia Federal - argumenta.

Petrolina

Em seu relatório final, Demóstenes aponta o deputado Carlos Wilson como o chefe de um esquema montado na Infraero para fraudar licitações. Numa avaliação conservadora, segundo o relator, o montante de recursos desviados da estatal por meio da suposta quadrilha, formada com pessoas de Petrolina - cidade de origem de Carlos Wilson - pode ter chegado a R$ 500 milhões.

Após a leitura do relatório, vários senadores parabenizaram Demóstenes pelo trabalho realizado. João Pedro (PT-AM), alegando necessidade de maior aprofundamento do texto no que se refere ao acidente no Aeroporto de Congonhas com o avião da TAM, ocorrido em 17 de julho deste ano, apresentou pedido de vista do relatório. João Pedro se disse também inconformado com as acusações de Demóstenes contra o deputado Carlos Wilson, tendo em conta a histórico de vida pública do petista, anterior a sua gestão à frente da Infraero.

Devido ao pedido de vista, o presidente da CPI, Renato Casagrande (PSB-ES), marcou nova reunião do colegiado para a próxima terça-feira (30), às 11h, para votação do relatório final.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)