Suplicy lê nota da Via Campesina sobre conflito no Paraná

Da Redação | 23/10/2007, 20h51

Ao discursar em Plenário nesta terça-feira (23), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) leu nota oficial da organização internacional Via Campesina, acerca do conflito ocorrido no dia 21 de outubro, em Santa Tereza do Oeste (PR), que resultou na morte de um sem-terra e de um segurança. De acordo com a nota, o acampamento da Via Campesina foi atacado por "uma milícia armada da Syngenta", que executou, com tiros à queima roupa, um militante do movimento.

De acordo com a nota, continuou Suplicy, a Via Campesina não deteve reféns, como noticiado pela imprensa. A Syngenta é uma empresa multinacional de agronegócios que possui um centro de pesquisas em Santa Tereza do Oeste, e é acusada pela Via Campesina de realizar experimentos transgênicos ilegais no Paraná.

Suplicy anotou que, além do assassinato de Valmir Mota de Oliveira (membro da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST), os trabalhadores Gentil Couto Vieira, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram gravemente feridos.

Por meio da nota, a Via Campesina relata que a milícia era composta por "40 pistoleiros armados" que atacaram o acampamento "para assassinar as lideranças" do movimento. A organização afirma ainda que a milícia é utilizada pela Syngenta por meio "da empresa de fachada NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da região Oeste (SRO) e o Movimento de Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio".

A Via Campesina, relatou Suplicy, exige a "punição dos responsáveis pelos crimes - principalmente os mandantes - a desarticulação da milícia armada na região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF", além de garantia de segurança para as lideranças e membros do movimento.

- Os camponeses seguem na luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e a reforma agrária - leu Suplicy.

Boxeadores cubanos

No início de seu pronunciamento, Suplicy fez apelo ao presidente de Cuba, Fidel Castro, e às autoridades desportivas cubanas, para que permitam que os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara participem do Campeonato Mundial de Boxe, que começa nesta terça (23) em Atlanta, nos Estados Unidos.

Ambos os boxeadores abandonaram a delegação cubana nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, mas depois retornaram a Cuba, com ajuda de autoridades brasileiras. Suplicy informou que faz o pedido em conjunto com o ex-campeão mundial de boxe, o brasileiro Éder Jofre.

O Campeonato Mundial de Boxe, acrescentou Suplicy, é classificatório para os Jogos Olímpicos de 2008, na capital da China, Beijing (ou Pequim). O senador também voltou a condenar o bloqueio econômico norte-americano contra Cuba.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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