Renan cumpre prazo e entrega defesa prévia a Jefferson nesta quarta
Da Redação | 23/10/2007, 20h12
O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), encaminhará nesta quarta-feira (24) ao senador Jefferson Péres (PDT-AM) sua defesa prévia no processo em que é acusado de se associar ao usineiro João Lyra para comprar de forma clandestina um jornal e uma emissora de rádio em Alagoas. Segundo Jerfferson, que é o relator da terceira representação apresentada contra Renan no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o presidente licenciado o informou que a defesa será entregue por um advogado.
Apesar de ter entrado nesta segunda-feira (22) de licença médica, Renan decidiu cumprir o prazo de cinco sessões para rebater a denúncia apresentada pelo PSOL.
O relator explicou que defesa de Renan terá como base o depoimento do usineiro prestado no dia 16 de agosto ao corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP). Na ocasião, o empresário alagoano confirmouo que dissera à imprensa: foi sócio de Renan em veículos de comunicação adquiridos porR$ 2,6 milhões.
Para reforçar sua acusação Lyra apresentou documentos comprobatórios do negócio, como recibos e notas promissórias assinadas pelo primo e suposto testa-de-ferro de Renan, Tito Uchôa.
- Vou ver como o Renan rebate essas acusações, para então ouvir novamente o João Lyra. Esse é o curso normal de uma investigação - explicou Jefferson.
O senador refutou as insinuações de que estaria se sentindo inseguro para apresentar elementos que condenassem o presidente do Senado.
- Estão me entendendo mal. O que disse é que a recusa do usineiro em fazer uma acareação com Renan poderia tirar a força do relatório - corrigiu o relator.
Jefferson, porém, não pretende desistir da acareação. Poderá inclusive propor a João Lyra que seja feita de forma reservada - na presença apenas do relator do presidente do conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), e dos advogados de Renan e Lyra. Mas Renan também terá de concordar com o encontro.
O relator está aguardando resposta aos convites para depor enviados pelo Correio a Tito Uchôa e ao empresário Nazário Pimentel, que teria vendido o jornal e as rádios a Renan e Lyra. Além disso pretende ouvir cerca de três pessoas, cujos nomes não quis mencionar. Uma delas é um funcionário do gabinete de Renan.
Conforme Tuma, outro suposto testa-de-ferro da operação entre o presidente do Senado e o usineiro é Carlos Santa Rita. O corregedor-geral também mencionou o nome de Luiz Carlos Barreto, ex-diretor-executivo do jornal supostamente adquirido por Renan e Lyra, e que teria participado da transação na qualidade de sócio de Pimentel.
Uma das linhas de apuração do relatoré esclarecer qual era a renda real de Tito Uchôa, de formaa determinar se ele tinha condições de adquirir veículos de comunicação. De acordo com Tuma, o valor total das notas promissórias assinadas por Uchôa é de R$ 650 mil, sendo R$ 350 mil no fechamento negócio e o restante em prestações.
- Na documentação que examinei há comprovantes de pagamentos mas nenhum assinado pelo senador Renan Calheiros - observou o relator.
Na época do depoimento de João Lyra, Tuma informou que, na documentação apresentada pelo usineiro, há uma carta de Renan Calheiros para o usineiro confirmando a renovação da concessão da emissora de rádio.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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