Quinta representação contra Renan vai ao Conselho de Ética

Da Redação | 15/10/2007, 19h26

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PTR-AC), confirmou em entrevista nesta segunda-feira (15), que os integrantes da Mesa decidiram, por cinco votos e uma abstenção, enviar a quinta representação contra o senador Renan Calheiros ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A representação foi encaminhada pelo PSDB e pelo DEM em razão de denúncias sobre suposta espionagem de senadores da oposição por um assessor de Renan Calheiros, quando este ainda estava na Presidência da Casa.

A representação aguardava decisão da Mesa desde 9 de outubro, quando foi protocolada na Mesa pelos senadores do PSDB e do DEM. A representação por quebra de decoro parlamentar foi apresentada com base em denúncia de suposta tentativa de espionagem dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marcone Perillo (PSDB-GO) por parte de Francisco Escórcio, assessor de Renan.

Perguntado sobre mudanças que teria promovido no gabinete da Presidência, como a demissão de assessores que serviam a Renan, Tião Viana disse que alguns cargos do gabinete são da Presidência e que trocá-los por assessores de sua confiança e com quemtenha afinidade profissional durante o período em que estiver no cargo é prerrogativa da função. Conforme especificou, até agora somente cargos relativos ao setor de comunicação social foram pedidos.

- Posso trocar cargos de assessores por gente de minha confiança, sempre tendo em vista o melhor para o desempenho de minhas atribuições constitucionais. Eu ainda estou vendo isso. Mas, se Renan Calheiros voltar ao cargo poderá reabsorver esses cargos, um direito que lhe assiste - enfatizou Tião, ressaltando que conversou nesta manhã com o presidente afastado na residência funcional da Presidência.

Tião disse que ele e Renan conversaram sobre a importância da pacificação da Casa para a continuidade da agenda de votações de matérias importantes para o país, como a prorrogação da CPMF, a proposta sobre o afastamento de senadores que sofrerem representação por força de denúncia, escolha de autoridades, medidas provisórias e a proposta de regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, que trata de recursos para a Saúde.

- O distensionamento provocado pela licença do senador Renan demonstra que o Senado caminha para diálogo - disse o senador.

Tião Viana não quis falar sobre sucessão na Mesa do Senado, ressaltando que não pretende tratar desse assunto.

- Renan ainda tem o direito pleitear sua volta - acrescentou o parlamentar.

Chinaglia

Depois de presidir a sessão deliberativa, Tião Viana visitou, no início da noite, o gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Arnaldo Chinaglia.

- Foi uma visita de cortesia, para reaproximar as duas Casas, que estavam um pouco afastadas em função dos acontecimentos no Senado. É a reafirmação de um compromisso fraterno de votar e dialogar - disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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