Mário Couto protesta contra aprovação de diretor-geral do DNIT
Da Redação | 03/10/2007, 16h32
O senador Mário Couto (PSDB-PA) protestou contra aprovação pelo Senado, no dia anterior (2), do nome de Luiz Antônio Pagot para a direção geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre (DNIT). Em pronunciamento nesta quarta-feira (3), o parlamentar anunciou já ter os nomes necessários para pedir a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as ações do órgão.
- O senhor Pagot, que ganhou do Senado sem trabalhar, não vai se livrar da minha fiscalização e de meu partido - afirmou o parlamentar, que prometeu ler, proximamente, os nomes dos senadores que assinaram o requerimento de CPI.
Pagot teve 42 votos a favor de sua aprovação e 24 contrários, além de duas abstenções. Ele é acusado de ter ganho sem trabalhar no período em que atuou no Senado como secretário parlamentar dos senadores Jonas Pinheiro (DEM-MT) e Blairo Maggi (hoje governador do Mato Grosso), entre 1995 e 2002, ao mesmo tempo em que era diretor-superintendente da Hermasa Navegação da Amazônia, empresa do grupo empresarial de Maggi com sede em Itacoatiara (AM). Pagot é hoje o primeiro suplente do senador Jayme Campos (DEM-MT), que foi relator de sua indicação (Mensagem Presidencial 74/07) na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI).
Mário Couto lembrou que relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades em 77 das 213 obras que analisou, 23 delas no DNIT.
- Um orçamento de R$ 12 bilhões precisa ser respeitado, é dinheiro para as estradas, não para ir para o bolso de ninguém - afirmou.
O representante paraense criticou frases do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicadas pela imprensa. Primeiro, disse que Lula é "o único que não sabe" que um administrador público não pode gastar mais de 50% de seu orçamento com pessoal. O presidente disse recentemente que choque de gestão, no serviço público, não é demitir, é contratar. Também lamentou quando o presidente disse que prefere caminhar por uma hora sobre uma esteira do que ler um livro.
- Pasmem! Onde Estamos?! - protestou.
O senador Mão Santa (PMDB-PI), em aparte, disse que Lula já havia se superado:
- Ele agora disse que não gosta de ler nem de estudar, gosta de ver novela.
Mário Couto ainda criticou gastos governamentais. Citando matéria da rádio CBN, afirmou que o governo dobrou o gasto com a frota de carros oficiais, passando de R$ 401 milhões, em 2002, para R$ 813 milhões, ano passado. Também criticou os gastos com aluguel de veículo, que subiram de R$ 6 mil, em 2003, para R$ 494 mil em 2006.
Em aparte, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) afirmou que o governo Lula nada fez para diminuir as possibilidades de fraude nas licitações nem revigorou a estrutura do DNIT, esvaziada ao longo dos anos.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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